Bolsonaro lava as mãos com o sangue de inocentes. Por Carlos Fernandes

Jair Bolsonaro. (Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados)

O que era um terrível receio a se materializar a partir dos primeiros dias de um eventual mandato presidencial de Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão, mostra-se desde já uma aterradora realidade.

O que se viu no primeiro turno das eleições em matéria de intolerância, preconceito, homofobia, racismo e violência física e verbal, já faz desse pleito um ligeiro ensaio sobre o nível de decadência civil para o qual caminhamos a passos largos.

Chocados na incubadora da velha mídia brasileira, os ovos do fascismo eclodiram nos revelando o que de pior pôde ser gestado à base de mentiras, manipulações e conceitos pré-formados.

Dos vergonhosamente habituais xingamentos e ameaças de agressão e estupro até gente votando armada filmando o seu desprezo pelas regras democráticas, o desfecho previsível não poderia ter sido outro.

Questão de horas passadas após o fechamento das urnas, um ser humano agonizava sobre a poça do seu próprio sangue.

Vítima do ódio propagado por tudo o que representa Jair Bolsonaro, um negro, artista e capoeirista encontrou o seu trágico fim na ponta de uma faca empunhada menos por um homem do que por um ideal fascista.

Aos gritos de “viva, Bolsonaro”, um assassino silenciava a liberdade de expressão e o democrático debate político. Por declarar seu voto e seu apoio ao PT e a Haddad, o mestre Moa de Katendê foi barbaramente esfaqueado.

Eis a brutal lógica na qual se define o conceito de “democracia” para quem enxerga na ditadura militar o que de melhor aconteceu na história do Brasil.

Em suma, nada poderia ter sido pior se não estivéssemos tratando de um fascista como Bolsonaro e sua turba de delinquentes, arruaceiros e assassinos.

Ao ser questionado sobre o episódio, o capitão da reserva, com a sua costumeira simpatia pela truculência, conseguiu piorar o que já era trágico.

Como todo bom covarde, minimizou a violência e se eximiu de qualquer culpa. Nas suas próprias palavras:

Se um cara lá que tem uma camisa minha comete um excesso, o que tem a ver comigo? Eu lamento, e peço ao pessoal que não pratique isso, mas eu não tenho controle. A violência e a intolerância vêm do outro lado e eu sou prova disso”.

É assombroso como numa única frase alguém consegue incorrer em tantas farsas e mentiras.

Primeiro que chamar de “excesso” o assassinato bárbaro de um ser humano com 12 facadas pelas costas, já demonstra o nível de psicopatia do cidadão que se propõe a ser presidente da República.

Segundo que dizer que “lamenta” o ocorrido, que pede ao “pessoal” que “não pratique isso”, mas que, todavia, simplesmente “não tem controle” sobre o que os seus apoiadores fazem amparados pelo seu próprio discurso, mais do que lavar as mãos com o sangue de inocentes, incentiva a continuação da chacina.

E como se não bastasse, ainda tem a pachorra de afirmar que violentos são os outros.

Bolsonaro já não é uma ameaça à democracia brasileira. Ele de fato já é a ruína que nesse exato momento está corroendo os fundamentos de nossa consciência civilizatória.

Alçá-lo à presidência da República mostra-se tão somente como a forma mais rápida e producente de nos transformamos de vez num país de déspotas e salafrários.

Todos, à sua semelhança.

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