‘Bolsonaro mostra fraqueza quando pede apoio para governar’, afirma cientista política

Bolsonaro (Evaristo Sa/AFP)

PUBLICADO NA REDE BRASIL ATUAL

Para a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, professora da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), a tentativa do presidente Jair Bolsonaro de convocar a população para apoiá-lo, ameaçando o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) é reveladora da sua “fraqueza” e “pequenez” e da “fragilidade” do governo.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), convocou para terça-feira (3) sessão conjunta do Congresso Nacional para apreciação dos vetos presidenciais, dentre eles o veto parcial ao projeto de lei que inclui o chamado Orçamento Impositivo na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que dá para mais poderes aos parlamentares.

Foi essa disputa que desencadeou a atual crise, quando o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, foi flagrado reclamando de suposta chantagem dos parlamentares.

“É um momento muito difícil. É mais uma crise em que o governo mostra a sua fragilidade”, afirmou a cientista política da Ufscar à jornalista Marilu Cabañas, para o Jornal Brasil Atual, nesta segunda-feira (2). “Quando o presidente pede o apoio da população para conseguir governar, mostra a sua fraqueza e pequenez.”

Ela também destacou a fragmentação entre as forças políticas, inclusive da oposição, o que impede a adoção de posturas mais firmes contra os arroubos autoritários do presidente. “A fragmentação dessas forças dificulta uma saída que venha a fortalecer a democracia ou aumentar a governabilidade democrática. Pelo contrário, essas divisões internas acabam dando força ao presidente para que continue no poder.”

Manifestações

A partir do próximo domingo (8), quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher, o governo deve enfrentar uma sequência de manifestações contrárias, que ocorrerão em meio ao ato convocado em apoio ao governo. A disputa nas ruas deve reavivar o “clima de campanha”, segundo Maria do Socorro. Mas segundo ela, é fundamental que a população se organize para manifestar sua insatisfação, no sentido de pressionar as forças políticas institucionais.

“É um momento importante, porque governo e oposição vão sentir o quanto essas forças hoje no poder estão presentes também na sociedade civil. Vai ser uma volta do clima de campanha. Parece que esse governo nunca saiu da campanha eleitoral. Vamos ter  cada grupo tentando mostrar força na rua. Claro que há problemas nisso, mas do ponto de vista democrático é importante. Afinal, uma democracia liberal precisa vocalizar as diferentes expressões da sociedade”, afirmou a professora.

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