Bolsonaro passa por cima de Mandetta. Por Moisés Mendes

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta – Sérgio Lima / AFP

Publicado originalmente no blog do autor

Bolsonaro voltou ao normal, um dia depois da fala de Mandetta pedindo que fiquem em casa.

Hoje pela manhã, na circulada que deu por Brasília conversando com trabalhadores em lojas da Asa Norte e em Ceilândia, Bolsonaro pode ter lançado perdigotos sobre dezenas de pessoas.

Os jornais informam que em Ceilândia Bolsonaro disse a um assador de churrasco em espetinhos: “Eu defendo que você trabalhe. Lógico, quem é de idade fica em casa. Às vezes, o remédio demais vira veneno”.

Nas conversas com comerciários, a mesma posição. Parou, fez rodinhas, tirou fotos com fãs e uma criança.

O único consolo (se é que há) é que Bolsonaro pelo menos não apertava a mão de quem vinha conversar com ele, apesar das aglomerações.

A fala de Mandetta ontem, pedindo que todos respeitem o isolamento social, foi mais uma farsa.

Mandetta deu a entender, logo depois da reunião de Bolsonaro com os ministros, que os técnicos da saúde finalmente haviam assumido a estratégia do governo, para unificar as ações e o discurso contra a pandemia.

Não assumiram nada. Bolsonaro continua circulando entre as pessoas e dizendo que é preciso trabalhar. O recado do passeio de hoje pela manhã é muito claro: ele é quem manda.

Hoje, o Globo informa que parte da direita não segura mais Bolsonaro. Latifundiários, empresários, integrantes da bancada da bala, caminhoneiros e até líderes neopentecostais estariam pedindo que Bolsonaro se acalme.

As informações de ontem eram de que Bolsonaro havia sido controlado pela ameaça de Mandetta de renunciar e pela pressão dos militares. Ninguém controla Bolsonaro.

Só há uma saída para Mandetta, que hoje deve apresentar o novo balanço da pandemia: renunciar durante a entrevista coletiva.

E os outros aliados? E o resto? Todo o resto pode ser cúmplice da tragédia liderada por Bolsonaro.

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