Bolsonaro perde apoio e bate-boca com internauta depois que anunciou que pretende subsidiar igrejas. Por Joaquim de Carvalho

Jair Bolsonaro: bate-boca com jornalistas e até com antigos apoiadores

Um bate-boca na rede social dá a dimensão da perda de apoio de Jair Bolsonaro.

Maycon Rodrigues cobrou o presidente pelo subsídio nas contas de luz que ele quer dar às igrejas.

“Subsídios para igrejas pagarem um valor menor em energia elétrica, aí não, né, presidente?”, comentou Maycon em uma postagem da página de Bolsonaro no Facebook.

Jair Bolsonaro respondeu como de costume: com muita agressividade.

“Beber até cair não dá, né, Maycon?”, respondeu. Bolsonaro provavelmente não o conhece em pessoa.

E fez o comentário em razão da foto de Maycon na rede social, em que ele segura uma latinha de cerveja.

Maycon, que teve quase 1.400 reações com seu primeiro comentário, não se intimidou.

“Pode sim, é com meu dinheiro e não dinheiro público”, disse. A resposta teve mais de 2000 mil curtidas.

Seguidores de Bolsonaro se manifestaram a favor de Maycon, na página do presidente.

“Ele pode beber quantas quiser, agora acho um desaforo ficar pagando conta de energia de igrejas, elas já conseguem ludibriar muitas pessoas e têm dinheiro suficiente para pagar impostos e energia elétrica”, comentou Sandra Regina Naspolini.

Basta uma olhada rápida pelo seu perfil no Facebook para ver que Sandra é bolsonarista-raiz, assim como Thiago Luperini, que até pouco tempo atrás exibia sua foto com a frase “Eu sou caixa 2 do Bolsonaro”.

“Se ele bebe, o problema é dele, mas a conta de energia… esse problema é nosso. E tem gente que aplaude, depois não vão reclamar do preço de energia…”

Bolsonaro silenciou na polêmica em sua rede social, mas os milicianos digitais reagiram, numa linha que é conhecida no submundo na internet: com ataques pessoais, para fragilizá-lo lo emocionalmente.

Espalharam memes em que ele aparece ao lado da esposa, com chifre desenhado sobre sua cabeça e a frase: “Sou cornão vacilão”. Maycon não esperava esse tipo de reação.

“Fiquei assustado”, disse ao DCM. “Vou dar um tempo na rede social”.

Milicianos digitais atacaram o Maycon, que educadamente se manifestou contra subsídio às igrejas

Hoje Bolsonaro abordou o tema do subsídio às igrejas, em sua manifestação à imprensa, na porta do Palácio da Alvorada, e tentou se passar por vítima.

“Eu estou apanhando e não decidi nada ainda. Eu não sei por que essa gana de dar pancada em mim o tempo todo. Eu assinei o decreto? Mas por que essa pancada?”

O senhor vai assinar?, perguntou uma repórter.

“Eu decido aos 48 do segundo tempo ou 54. Lembra que o Palmeiras ganhou um jogo aos 54 do segundo tempo? Eu decido na hora certa”, disse.

Em seguida, foi questionado sobre uma revelação, contida no livro “Tormenta – O governo Bolsonaro: Crises, Intrigas e Segredo”, de Thaís Oyama.

“O livro é fake news, o livro é mentiroso, eu não vou responder sobre o livro”, disse, provavelmente sem ter lido a obra, que será lançada na sexta-feira.

O senhor mandou o Queiroz faltar ao depoimento, presidente?, questionou um jornalista, a respeito de uma informação do livro, segundo a qual foi por orientação dele que o ex-assessor de Flávio Bolsonaro não foi ao Ministério Público do Rio de Janeiro, ainda antes da posse.

Bolsonaro deu as costas, sob aplauso de meia dúzia de apoiadores.

Bolsonaro continua agindo como se os outros não pudessem confrontá-lo.

Com jornalistas, virou rotina, sem que, diga-se, haja reação à altura.

A novidade agora é que até quem gritava Mito ate dias atrás já não fica passivo diante desse comportamento autoritário.

Bolsonaro precisa saber que uma hora o gado se rebela.

Já tem bolsominion mugindo de contrariedade.

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