
O presidente Lula (PT) pediu o voto de Jair Bolsonaro (PL) durante o debate da Band com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no domingo (18), mas o ex-presidente está impedido de participar das eleições de 2026. Condenado definitivamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pela trama golpista, ele cumpre pena e tem os direitos políticos suspensos.
A fala ocorreu durante uma discussão sobre segurança pública. Flávio afirmou que a “criminalidade explodiu” no governo Lula e questionou por que o petista teria recebido o voto de 73% dos presidiários.
Lula respondeu em tom de provocação: “Eu quero é os 100%. Até o teu pai. Bolsonaro, vota em mim. Você conhece seu filho. Até você sabe que eu sou melhor que ele”.
Flávio Bolsonaro questionou Lula durante o debate na Band sobre o voto de presidiários no presidente. “Por que 60% dos presidiários votaram em você?”, perguntou o senador.
Lula respondeu com uma provocação direcionada a Jair Bolsonaro, pai do adversário. “Quero 100%, inclusive o… pic.twitter.com/SziuqsN4wo
— exame (@exame) October 19, 2026
Condenação definitiva suspende os direitos políticos
Bolsonaro recebeu pena de 27 anos e três meses de prisão no julgamento sobre a trama golpista. A condenação transitou em julgado em novembro de 2025, quando se encerraram os recursos ordinários capazes de suspender seus efeitos.
A suspensão dos direitos políticos impede Bolsonaro de votar para presidente, governador, senador, deputado e demais cargos eletivos enquanto durarem os efeitos da condenação criminal definitiva. Uma revisão criminal apresentada por sua defesa ao STF não muda, por si só, o caráter definitivo da sentença.
A condição de Bolsonaro difere da de presos provisórios, que ainda não receberam condenação com trânsito em julgado. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu preservar o direito de voto desse grupo nas eleições de 2026.
Uma alteração aprovada neste ano previa restrições ao alistamento eleitoral de presos provisórios, mas o TSE entendeu que a medida não poderia valer já neste pleito. A corte aplicou o princípio constitucional da anualidade eleitoral, que impede mudanças nas regras eleitorais a menos de um ano da votação.
A Justiça Eleitoral pode instalar seções em unidades prisionais e transferir títulos de eleitores presos provisoriamente que estejam aptos a votar. Dados do 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública apontam que o país terminou 2025 com 964.668 pessoas privadas de liberdade; 25,7% delas aguardavam julgamento.