Bolsonaro promove empresa israelense envolvida em escândalo com Netanyahu

Bolsonaro e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Copacabana. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

No domingo, dia 4, Bolsonaro fez o seu oba oba no Twitter, desta vez com uma patacoada da agenda do ministro Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, em Israel. 

“O Novo governo brasileiro traz de volta a confiança aos olhos do mundo, para o bem do cidadão brasileiro e do Brasil!”, escreveu.

Bolsonaro repercutiu a suposta doação de máquinas de dessalinização da água produzidas por uma empresa chamada Watergen

No Haaretz, um dos maiores jornais israelenses, uma história curiosa sobre a Watergen e Netanyahu:

O embaixador de Israel no Brasil, um membro do Likud que é próximo a Benjamin Netanyahu, promoveu os produtos de uma empresa israelense durante a visita do primeiro-ministro ao Brasil na semana passada.

A Watergen, cujos aparelhos extraem umidade do ar para produzir água, é de propriedade de Michael Mirilashvilli. Seu filho, Yitzhak Mirilashvilli, controla o Canal 20, uma emissora de TV israelense conhecida por seu apoio a Netanyahu.

Michael Mirilashvilli chegou a Brasília durante a visita diplomática de Netanyahu para promover as vendas dos aparelhos da empresa ao governo brasileiro.

O embaixador, Yossi Shelley, disse a repórteres na comitiva de Netanyahu que ele encorajou a importação de várias amostras.

Ele acrescentou que o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, com quem Shelley tinha estado em contato antes de ser eleito, deve dar à Watergen uma facilitada nas tarifas de importação, o que ajudaria a companhia de Mirilashvilli a penetrar o grande mercado brasileiro.

Segundo fontes familiarizadas com os detalhes, Bolsonaro encomendou duas máquinas Watergen, uma das quais aparentemente será instalada em uma base do Exército brasileiro.

As fontes disseram que a Watergen teve a oportunidade exclusiva de exibir sua tecnologia quando o governo brasileiro permitiu que instalasse os dispositivos em uma praça perto da posse de Bolsonaro, à qual Netanyahu compareceu.

Segundo as fontes, Mirilashvilli queria participar da cerimônia com Netanyahu, mas Shelley rejeitou a ideia como inadequada.

Yitzhak Mirilashvilli controla o Canal 20, cuja cobertura tende a favorecer o primeiro-ministro. Netanyahu e sua esposa, Sara, dão entrevistas regulares à emissora. Ela relata amplamente suas realizações, dedicando grande parte do tempo às suas declarações e a seus ataques à promotoria e à polícia. (…)

Outro fato interessante diz respeito ao renomado advogado Alan Dershowitz, amigo e partidário de Netanyahu. Dershowitz detém 5% das ações da Watergen, atua como diretor da empresa e tem laços diretos com a família Mirilashvilli.

Dershowitz freqüentemente defende o primeiro-ministro e argumenta que não há base para as suspeitas decorrentes das três principais investigações contra ele. Pelo menos uma vez este ano, ele defendeu Netanyahu desta maneira no principal noticiário do Canal 20. (…)

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