Bolsonaro rifa seus radicais, se afasta de olavistas e repete o que Hitler fez com os arruaceiros das SA

Oswaldo Eustáquio, Sara Winter e uma apoiadora

Em busca uma imagem mais domesticada para mercado, mídia, Supremo e os donos do Brasil, Bolsonaro está rifando os radicais que cultivou e que o apoiaram cegamente.

Não ofereceu uma palavra de solidariedade aos milicianos digitais que foram presos ou alvo de busca e apreensão da PF.

Sara Winter está até hoje aguardando um agrado do líder. Allan dos Santos chegou a contar com uma força de Eduardo na primeira prensa, mas o Zero 3 já sumiu.

Mesmo os deputados metidos no inquérito das fake news foram esquecidos — publicamente ao menos — pelo chefe.

Nesta terça, dia 30, Alexandre de Moraes decidiu prorrogar, por mais cinco dias, a prisão do blogueiro Oswaldo Eustáquio.

O sujeito é acusado de propagar ataques contra a democracia e mover uma rede de mobilização virtual em torno dos protestos golpistas.

A prisão, temporária, foi estendida a pedido da Polícia Federal porque Eustáquio participa de “fatos que estão sob apuração e guardam relação com atos de potencial lesivo considerável”.

Ele mobiliza pessoas “com afinidade ideológica” e propaga “o extremismo e discurso de polarização”. Além disso, mentiu sobre seu endereço.

Bolsonaro deve, também, indicar um substituto para Decotelli distante do olavismo ou da delinqüência de um Weintraub.

Não significa que Bolsonaro vai, de fato, virar gente. Mas ele dá o recado de que, para manter o poder, não hesitará em atirar ao mar seus cachorros mais raivosos.

Em 1934, Hitler fez esse mesmo movimento com as SA, as tropas de assalto que o ajudaram a subir ao poder.

O capitão Ernst Röhm, fundador do partido nazista, veterano da Primeira Guerra, havia se tornado um problema com seus arruaceiros especializados em espancamentos e assassinatos.

Röhm encara seu “exército plebeu” como o núcleo do nazismo, “a encarnação e garantia da revolução permanente”. A lealdade ao führer era absoluta.

Essa matilha, porém, desagrava e assustava a classe média e preocupava os militares e industriais, que formavam a base do regime.

Na madrugada de 30 de junho para 1º de julho de 1934, Hitler ordenou uma série de execuções políticas extrajudiciais, entre elas a de Ernst Röhm — cuja homossexualidade era usada pelos generais como argumento de sua perversão.

O verniz de civilidade durou pouco tempo, como se sabe.

Vamos ver até quando Jair Bolsonaro ficará sem babar na gravata.

Hitler e Ernst Röhm, morto a mando do führer na Noite das Facas Longas

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