Bolsonaro se supera e ataca Macron por ter uma mulher, Brigitte, 24 anos mais velha. Por Kiko Nogueira

Sempre que você imaginar que Jair Bolsonaro chegou ao fundo do poço, lembre-se de que ele pode cavar mais fundo.

O presidente do Brasil achou razoável fazer troça da mulher de Emmanuel Macron, Brigitte, pelo fato de que ela é 24 anos mais velha que ele.

No Facebook, um seguidor postou foto dos dois casais com a legenda: “Agora entende por que Macron persegue Bolsonaro?”

O próprio respondeu, num tom inacreditavelmente cafajeste, mesmo para seus padrões: “Não humilha cara. Kkkkkkk”

Desde que Macron declarou sua preocupação com as queimadas na Amazônia, Bolsonaro reagiu à sua maneira delinquente.

O filho Eduardo, candidato à embaixada nos EUA, replicou um vídeo chamando o francês de “idiota”.

O pai, que faz das fake news uma missão de vida, acusou Macron de usar uma foto antiga para falar da floresta, como se o problema fosse isso e não os incêndios.

O golpe baixo deixa o Brasil ainda mais isolado, com uma imagem virtualmente destruída.

Brigitte tem 66 anos.

A diferença etária com o marido foi usada na campanha pelos adversários, até a sociedade francesa, que não é a americana, repelir a baixaria.

Ela o conheceu quando era sua professora.

“Um amor frequentemente clandestino, muitas vezes escondido, incompreendido por muitos antes de se impor”, disse Macron.

“Se eu tivesse 20 anos mais que minha esposa, ninguém pensaria por um segundo que não poderíamos estar legitimamente juntos”.

É tida como sua principal conselheira. Vai ensinar desempregados num programa para aqueles que ainda não terminaram o ensino secundário.

Lecionará literatura clássica em Clichy-Sous-Bois, a leste de Paris, uma zona conhecida por ter sido o ponto de partida para os distúrbios de 2005.

Na semana passada, Bolsonaro foi às redes reclamar que Michelle estava “arrasada” com matérias sobre sua família — a avó que foi presa por tráfico, a mãe que teve dupla identidade, o tio miliciano, o avô materno assassinado etc.

Agora endossa um ataque repugnante a um desafeto.

É Bolsonaro sendo Bolsonaro, afundando um país consigo.

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