Bolsonaro usa médico adotado por Trump e pela extrema direita dos EUA para defender cloroquina

O doutor Zelenko

Aos 46 anos, oito filhos, Vladimir Zelenko é médico de família em Kyrias Joel, uma pequena cidade no estado de Nova York. É dele a inspiração de Jair Bolsonaro para defender o uso da hidroxicloroquina como tratamento para o Covid-19.

O tratamento proposto por Zelenko mistura a hidroxicloroquina, o antibiótico azitromicina e o sulfato de zinco. Conforme noticia o New York Times, o russo alega ter curado 100% dos pacientes com o coronavírus sem necessidade de hospitalização.

Bolsonaro, como sempre, se inspirou em Donald Trump para abraçar a hidroxicloroquina como elixir contra a doença.

Conhecido na comunidade judaica ortodoxa americana, Zelenko ganhou fama global ao ter o método de tratamento divulgado por Trump. Como bom capacho, Bolsonaro foi atrás.

Em seu perfil no Twitter, Bolsonaro divulgou uma entrevista feita por Rudolph Giuliani com Zelenko. No tuíte, Bolsonaro alega que “500 pacientes foram curados do Covid-19”.

Zelenko diz ter recebido ligações de autoridades de saúde de Israel, Ucrânia e Rússia. Ele se define como um “médico de interior, sem ligações com poderosos”.

A fama repentina de Zelenko causou tensões. Ele afirmou que 90% da população da cidade contrairia o vírus, provocando a ira dos moradores de Kyrias Joel.

Não é a primeira vez que tentam usar o combo hidroxicloroquina e azitromicina para tratar a doença. Mas é a primeira vez que o tratamento é usado em pacientes com sintomas leves.

Zelenko relata “estar otimista, mas diz que é cedo para apontar a eficácia do tratamento”, segundo o Times.

Dois anos atrás, em 2018, Zelenko descobriu estar com câncer e teve um dos rins removidos – situação que o coloca no grupo de risco. Ele alega ter curado 350 dos 900 pacientes atendidos por ele com o coquetel de medicamentos prescritos por ele.

O desespero de Trump para encontrar uma cura milagrosa para o Covid-19 se justifica: o número de casos nos EUA cresce 50% a cada dia e o país já tem o dobro de casos da Itália, principal foco da doença em março.

Os EUA contam com 25% dos casos no globo.

Já no Brasil, a luta é por conta da falta de leitos de UTI no país. Apesar do Brasil contabilizar apenas 10 mil casos e 450 mortes, cerca de 80% dos 55 mil leitos de UTI do país já estão ocupados.

Caso haja necessidade de internação em massa, o sistema hospitalar entraria em colapso em poucos dias.

Mas o uso da hidroxicloroquina não tem comprovação científica. Estudo coordenado pelo Hospital Albert Einstein com 1300 pacientes de 70 hospitais não chegou à uma conclusão sobre os efeitos do medicamento no tratamento do Covid-19.

O jornalismo do DCM precisa de você para continuar marcando ponto na vida nacional. Faça doação para o site. Sua colaboração é fundamental para seguirmos combatendo o bom combate com a independência que você conhece. A partir de R$ 10, você pode fazer a diferença. Muito Obrigado!