“Bom rapaz” e “impulsivo: quem é Aaron Alexis, o atirador da base naval de Washington

aaron alexis

 

Impulsivo e conversador, “bom rapaz” mas por vezes “agressivo”, Alexis Aaron praticava budismo num templo tailandês em Fort Worth no Texas e gostava de armas. Foi militar, reservista da Marinha, entre 2007 e 2011, onde é lembrado por problemas disciplinares. A um amigo disse que fora afastado porque “alguém não gostava dele”. Queixava-se frequentemente da falta de oportunidades de trabalho, mas gostava de se divertir, diz quem privou com ele. Mudou-se recentemente do Texas para o sudoeste de Washington, onde arranjou um emprego numa empresa de serviços que o ligava a esse mundo da Marinha de onde fora excluído.

São peças dispersas, como estas, sobre o percurso de Aaron Alexis, que as autoridades, como o FBI e a polícia, tentam juntar para perceber as motivações que o terão levado a lançar um ataque no edifício-sede do Comando de Sistemas Navais da Marinha na manhã de segunda-feira em Washington. Este ex-militar-trabalhador-estudante de 34 anos é o principal suspeito e foi uma das 13 vítimas.

A imprensa americana tenta reconstituir a vida de Aaron Alexis a partir dos registos da polícia e entrevistas nos vários lugares por onde passou: Seattle, Fort Worth e Washington, onde estava vivendo há semanas numa residência do sudoeste da cidade.

Trabalhava há pouco tempo numa filial da Hewlett-Packard de serviços de informática para a Marinha e estava inscrito num curso universitário de Aeronáutica pela Internet. O contrato que assinara com a empresa teria facilitado o acesso às instalações da Marinha, sem levantar suspeitas, antes de matar 12 pessoas e ser morto pela polícia, provocando aquele que foi o mais grave tiroteio em instalações militares desde 2009 nos Estados Unidos, quando 13 militares foram mortos na base de Fort Hood, no Texas.

Na manhã do ataque, Aaron Alexis tinha uma espingarda e pelo menos mais duas armas. Alguma delas foram compradas no estado de Virgínia, disse ao USA Today um responsável ligado à investigação.

Ao Washington Post o amigo Oui Suthamtewakul diz que Aaron Alexis tinha uma arma “sempre com ele”, bebia muito e, apesar de ser simpático e gostar de conversar, no íntimo era reservado. “Era como um adolescente de 13 anos no corpo de um homem de 34. Precisava de atenção.” Ao USA Today acrescenta ainda incrédulo: “Era um bom sujeito para mim. Ainda não acredito que faria uma coisa destas.” A AP adianta entretanto que Aaron Alexis era doente mental: sofria de paranóia, tinha dificuldade de dormir e ouvia vozes.

Aaron Alexis nasceu em 1979 em Queens, Nova York, segundo o New York Times, e cresceu nessa parte da cidade que abriga importantes comunidades de hispânicos, judeus ortodoxos e do sul da Ásia. Aprendeu tailandês e abraçou a cultura tailandesa, não só com a meditação no templo, mas indo um mês para a Tailândia.

Cresceu no Brooklyn com os pais, Cathleen e Anthony Alexis. A sua tia Helen Weekes disse não o ver “há vários anos”. Ouvido pelo New York Times, o cunhado conta que sua mulher, irmã de Alexis, não falava com ele há cinco anos. Mesmo assim, garante, “ninguém podia prever uma coisa destas, ninguém sabia nada dele”.

Apesar das ocorrências disciplinares dentro da Marinha, obteve o terceiro grau de eletricista de Aviação. Fora da Marinha a sua folha também não era completamente limpa. Foi detido pelo menos uma vez. Mais do que uma vez disparou armas em momentos de revolta impulsiva.

Justificou à polícia ter disparado contra um carro estacionado junto à casa da sua avó em Seattle em 2004 com uma momentânea perda de controle por se sentir “ridicularizado” e “desrespeitado”. Nessa ocasião, disse ainda estar transtornado com a “tragédia do 11 de Setembro” de 2001; segundo o pai, Aaron Alexis ajudou nas operações de salvamento. A polícia acusou-o, mas não o prendeu.

Anos depois, um incidente de 2010, também com uma arma, provocou o afastamento da Marinha. Aaron Alexis vivia então num apartamento em Fort Worth, Texas. Disparou uma arma que atingiu, sem causar feridos, o apartamento de cima. A vizinha falou de ameaças que ele lhe fizera por ela se queixar do barulho. A polícia não deu seguimento ao processo por falta de provas.

Depois de expulso do apartamento, partilhou uma casa com um dos amigos que fez no templo onde fez meditação durante três anos.

“Era simpático”, diz J. Sirun, assistente dos monges do templo, ao Washington Post. Sob uma aparência de tranquilidade, dava provas de grande agressividade, acrescentou J. Sirun. “Não gostava de se aproximar de ninguém, como um soldado que esteve na guerra. Mas nunca pensei que ele pudesse ser violento assim. Era uma pessoa calma. Mas por dentro era muito agressivo.”

Publicado originalmente no site do Público.

 

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