Bonner não se adapta ao novo formato do Jornal Nacional, afirma colunista

Segundo afirma o colunista Chico Barney, no UOL, a cada tentativa de Bonner demonstrar algum tipo de informalidade termina em cenas de puro constrangimento. A modulação da voz e a postura corporal não combinam com esse tipo de interação com os colegas. Fica parecendo um robô imitando emoções humanas. Além disso, esses momentos costumam ser mera espuma –dificilmente há informação relevante ou conteúdo aproveitável.

Como naquela música do Lulu Santos, Bonner parece uma mola encolhida. Até tenta exercitar e alongar um lado mais cativante e jovial, mas o fato é que ele é o sucessor do Cid Moreira. É uma evolução do leitor de notícias com voz profunda, mas nada muito radical.

Inteligente que é, o apresentador entendeu faz tempo que era necessário deixar o “Jornal Nacional” menos quadrado. Para não perder o bonde da história, encheram o programa de distrações que não têm efeito prático nenhum. A caminhada pelo set, os ângulos esquisitos que lembram o “CQC” e os longos minutos dedicados ao bate-papo virtual sobre temperatura com a correspondente de outra cidade são exemplos dessa busca por mais leveza.

O problema é que Bonner destoa muito, pois faz tudo parecer uma dança mal ensaiada. Se a ideia é ter um jornal mais “conversado”, urge chamar profissionais que consigam entregar isso com a indispensável naturalidade. A própria Maju Coutinho, além de apresentadores como Rodrigo Bocardi e Monalisa Perrone, mostram que a Globo já tem muita gente boa com esse perfil.

Se existe o desejo de modernizar a linguagem do “JN”, até para deixá-lo mais parecido com o que já é feito no noticiário local e no “Bom Dia Brasil”, não dá para forçar a natureza das coisas. Com tanto tempo de bons serviços prestados, que Bonner se dedique a uma atração que tenha mais o seu perfil. A leitura dos salmos da Bíblia com gírias de internet, talvez?

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