Boulos desmente boatos e diz que não deixará o PSOL para se filiar ao PT

Atualizado em 20 de março de 2026 às 17:53
Guilherme Boulos. Foto: Renato Pizzutto/Band

Guilherme Boulos, ministro da Secretaria Geral da Presidência, desmentiu rumores sobre sua saída do PSOL para se filiar ao PT, partido do presidente Lula. Ele afirmou que “lamenta” a divulgação de uma “carta apócrifa” por uma dissidência do partido.

Segundo Boulos, o boato surgiu em meio a um movimento de “oportunismo e desespero”. A carta foi divulgada por um grupo dissidente da Revolução Solidária, que o acusa de tentar migrar para o PT para ser escolhido como candidato de Lula.

A dissidência afirmou que o ministro estaria abandonando o projeto do PSOL, visando obter apoio dentro do PT, e que a tentativa de negociar uma federação com o partido de Lula seria uma forma de viabilizar sua saída do PSOL.

O presidente Lula e Guilherme Boulos. Foto: Ricardo Stuckert/PR

A proposta foi rejeitada pelo Diretório Nacional do PSOL em março de 2026. A Revolução Solidária, liderada por Boulos, respondeu às acusações, considerando a carta uma “mentira” cheia de “insinuações” e distorções.

Boulos é filiado ao Psol desde 2018, quando concorreu à presidência, e foi eleito deputado federal por São Paulo em 2022. Em 2025, foi convidado por Lula para assumir o cargo de ministro da Secretaria Geral da Presidência, substituindo Márcio Macêdo.

Veja a nota da Revolução Solidária na íntegra:

Contra a mentira e a tentativa de confundir a militância

A nota intitulada “Nunca foi sobre federação” é mentirosa, perversa, cheia de insinuações, versões distorcidas e ataques pessoais.

Não se trata de divergência honesta. Trata-se de construir uma narrativa artificial para tentar deslegitimar uma posição política que não conseguiram derrotar no debate franco.

A federação esteve, sim, no centro da discussão. Foi defendida publicamente, debatida nas instâncias e apresentada como um caminho estratégico para enfrentar a extrema-direita, reeleger Luiz Inácio Lula da Silva e ampliar o campo progressista. Negar isso agora é reescrever os fatos de forma oportunista. Fato é que alguns poucos militantes não aceitam métodos democráticos, se acham iluminados, donos da verdade e, quando não convencem (porque não têm base), iniciam linchamento público e tentativas de divisionismo.

A verdade é que, desde que Guilherme Boulos se tornou ministro, esses companheiros, agora dissidentes, se alinharam com os mesmos que assinaram artigo na Folha intitulado: “O PSOL e o futuro da esquerda”, defendendo que Boulos não fosse ministro. O debate de federação apenas evidenciou a posição que, infelizmente, encontra maioria no PSOL hoje: querem o partido apenas como consciência crítica da esquerda, não querem crescer e disputar poder. Querem, para sempre, apontar problemas sem participar da solução.

A tentativa de reduzir esse debate a uma suposta “operação” pessoal de Guilherme Boulos é, além de falsa, politicamente pobre. Ignora deliberadamente que estamos falando de uma discussão que atravessou o partido, envolveu centenas de militantes, dirigentes e parlamentares, e que respondeu a um problema real: como a esquerda se organiza para disputar poder no Brasil.

É especialmente grave a forma como a nota tenta lançar insinuações sobre Natália Boulos. Ao recorrer a esse tipo de ataque, sem qualquer prova, os autores abandonam completamente o terreno político e apelam para a desqualificação pessoal um expediente baixo, que não contribui em nada para o debate e revela mais sobre quem acusa do que sobre quem é acusado. Natália é dirigente nacional da Revolução Solidária, uma liderança popular forjada nas lutas, e não em acordos de gabinete e é justamente isso que parece incomodar.

A militância da Revolução Solidária não é massa de manobra de uma teoria conspiratória. Nossa militância é forjada na luta. Quem milita, constrói base, disputa eleição e organiza o partido sabe que as decisões políticas são fruto de acúmulo coletivo, não de roteiros secretos inventados depois dos fatos.

As acusações de pressão, promessas e “fundos e mundos” não passam de ilações sem prova, usadas para tentar gerar medo e confusão. É um recurso conhecido: quando falta política, sobra insinuação.

O debate sobre os rumos da Revolução Solidária foi apenas iniciado na Coordenação Nacional. O ministro Guilherme Boulos, junto com nossos parlamentares, e a nossa militância, farão os debates necessários de forma conjunta e com responsabilidade política. Em breve, teremos uma decisão.

A história não se constrói com boatos. Constrói-se com posição, coragem e compromisso político!

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.