Boulos e o MTST mostraram que, se a esquerda se unir, Temer recua até cair. Por Mauro Donato

O MTST na Paulista
O MTST na Paulista

 

Pouco adianta mulheres irem para as ruas protestar contra a violência e a cultura do estupro se a Secretaria de Políticas para Mulheres do governo Michel Temer está nas mãos de uma evangélica que é contra o aborto inclusive em casos de estupro.

Pouco adianta estudantes e professores irem para as ruas exigir melhorias no ensino público se o Ministério da Educação do governo Michel Temer abre as portas para gente do calibre de Alexandre Frota e a turma do Revoltados Online apresentarem sua defesa de uma ideia nefasta como o ‘Escola sem Partido’.

Pouco adianta grupos indígenas reclamarem a perda de decretos relacionados à reforma agrária se o governo Michel Temer é parceirão de primeira hora de Ronaldo Caiado e demais coronéis do agronegócio.

Pouco resolvem os gritos por liberdade de imprensa e democratização da mídia se o governo Michel Temer promove o desmonte da EBC e sob seu nariz a República de Curitiba se sente à vontade para censurar a opinião do blogueiro Marcelo Auler.

Está tão difícil assim encontrar o denominador comum, não percebem onde está a raiz do problema? Tudo passa por um governo retrógrado, alinhado com as bancadas mais conservadoras e inescrupulosas. As bancadas do boi, da bíblia e da bala são a marca registrada de Michel Temer, são elas que lhe dão suporte.

Enquanto os movimentos de esquerda atuarem isoladamente, nada vai mudar. Sozinhos, apanham, sofrem repressão violenta. Estão esperando o que para se juntar?

Os protestos de artistas fizeram Temer recuar e instituir novamente o MinC? Verdade. Bastaram dois protestos do MTST para Temer recuar e contratar as quase 11 mil moradias que havia suspenso do Minha Casa, Minha Vida? Verdade. A indignação de mulheres quando viram que a equipe do interino era composta exclusivamente de homens (e todos brancos) fez com que ele saísse correndo atrás de representantes do sexo feminino? Verdade. Então é isso, o que os movimentos estão aguardando para subir a temperatura?

Michel Temer é fraco, com seus tapinhas afetados sobre a mesa não suporta pressão. Ele terá sempre na ponta da língua a respostade que não se trata de recuos mas sim de que é um homem ‘democrático, aberto a rever posições’, um diplomata. É nada. Temer tem culpa no cartório e está com o rabo entre as pernas. É só apertar que ele entrega.

As pautas de todos os movimentos são absolutamente legítimas, justas, mas de que adianta lutar sozinho quando uma questão é umbilicalmente ligada a outra? Ontem, enquanto havia 10 mil mulheres no vão do MASP, a médica Erika Fontana Sampaio era violentamente agredida por policiais a duas quadras dali, no protesto do MTST.

Erika foi jogada ao chão, estrangulada e depois levada para a delegacia. Uma mulher foi agredida a poucos metros de distância de outras que protestavam contra a violência e mesmo assim um ato passou pelo outro, sem unificar as forças.

Todos trazem o grito Fora Temer em comum, porém fragmentados em dias,  horários e destinos distintos. Por que a direita emplacou o Fora Dilma? Porque dava a impressão de ser uma massa única. Não era. Eram vários movimentos mas que sempre marcavam suas manifestações para o mesmo local e data. E não propunham trajetos, ficavam aglutinados. Tornaram-se ‘o povo’, mesmo sem se-lo.

Tirar Michel Temer é fundamental e isso não implica levar as bancadas BBBs de roldão. Ainda não nos livraríamos de Bolsonaros, Malafaias e Felicianos, mas o poder deles é exponencialmente ampliado sob um governo Temer. De nada adianta chorar por liberdades constitucionais se estamos sob um governo que fez uma manobra suja para chegar ao poder sem se submeter ao voto popular.

Um governo que aplica um golpe faz qualquer coisa. Por isso a prioridade número zero da lista hoje tem que ser o Fora Temer. A prioridade número um, cada movimento tem a sua, mas o um vem depois do zero.

 

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