Brasil chega à maior carga tributária da história, com 32,4% do PIB

Atualizado em 10 de abril de 2026 às 17:57
Notas de R$ 50. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Em 2025, a carga tributária do Brasil alcançou 32,4% do PIB (Produto Interno Bruto), o maior valor registrado desde o início da série histórica, em 2010. Esse aumento de 0,18 ponto percentual em relação ao ano anterior foi divulgado pelo Tesouro Nacional, com base no Boletim de Estimativa da Carga Tributária Bruta do Governo Geral.

A carga tributária considera o total de tributos arrecadados pelas esferas federal, estadual e municipal, comparado com o PIB do país. O aumento foi impulsionado principalmente pela maior arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), que subiu 0,23 ponto percentual do PIB, acompanhando o crescimento da massa salarial.

O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também teve aumento, com crescimento de 0,1%, associado a operações de câmbio e crédito. A reoneração da folha de pagamentos também contribuiu para a elevação das contribuições ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS), que aumentaram 0,12 ponto percentual.

No nível estadual, a carga tributária teve uma redução de 0,09% do PIB, motiva pela queda na arrecadação do ICMS. Apesar de uma receita nominal maior, o aumento foi inferior ao crescimento do PIB, devido à composição do crescimento econômico, que foi concentrado em setores com menor incidência do imposto.

Nos municípios, a carga tributária aumentou 0,03 ponto percentual, impulsionada pelo crescimento do ISS, principalmente com a expansão do setor de serviços.

Prédio do Ministério da Fazenda. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os impostos sobre bens e serviços se mantiveram como o principal componente da carga tributária, embora tenham sofrido redução, passando de 13,87% para 13,78% do PIB. Já a taxação de renda, lucros e ganhos de capital teve um aumento passou de 9,04% para 9,16%. As contribuições sociais, como as destinadas ao RGPS, também cresceram.

A arrecadação de alguns tributos federais também teve aumento. O IOF passou de 0,57% para 0,68% do PIB, o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) avançou de 4,78% para 5% e as contribuições previdenciárias (INSS) aumentaram de 5,28% para 5,40%.

A carga tributária do Brasil, apesar de elevada, está alinhada com o padrão de países desenvolvidos, situando-se abaixo da média da OCDE, que é de 34% do PIB, mas acima da média da América Latina, que fica em torno de 21%.

A estrutura tributária do Brasil difere da dos países da OCDE, no entanto, com maior concentração de impostos sobre consumo e folha de pagamentos, enquanto as economias avançadas têm maior peso de tributos sobre renda e patrimônio.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.