“Brasil Contra o Crime Organizado”: o novo projeto de segurança pública de Lula

Atualizado em 11 de maio de 2026 às 7:38
Lula, presidente do Brasil. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo federal deve lançar nesta semana o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”, voltado ao enfrentamento de facções criminosas, tráfico de armas, lavagem de dinheiro e baixa resolução de homicídios no país. A previsão é que o plano seja anunciado na próxima terça-feira (12), em cerimônia no Palácio do Planalto.

A iniciativa deve ser regulamentada por um decreto e quatro portarias, segundo o g1. Os eixos principais serão enfrentamento ao tráfico de armas, asfixia financeira do crime organizado, aumento das taxas de esclarecimento de homicídios e reforço da segurança no sistema prisional.

O programa prevê cerca de R$ 11 bilhões em recursos. Desse total, R$ 1 bilhão sairá do Orçamento deste ano, enquanto outros R$ 10 bilhões devem ser viabilizados por meio de empréstimos do BNDES aos estados. A implementação, no entanto, dependerá da adesão dos governos estaduais. Os estados que aderirem às propostas terão acesso a recursos de fundos federais.

Na área penitenciária, o governo pretende levar aos presídios estaduais padrões semelhantes aos adotados nas unidades federais. A proposta inclui bloqueadores de celular, equipamentos mais modernos de raio-x e sistemas de revista. O objetivo é dificultar que chefes de facções presos continuem dando ordens a criminosos nas ruas.

Também está prevista a criação de um centro nacional de inteligência para coordenar ações integradas entre União e estados dentro do sistema prisional. O governo ainda pretende criar uma Força Integrada de Combate ao Crime Organizado Nacional, com estrutura fixa e centralizada para articular órgãos de segurança pública envolvidos em investigações contra organizações criminosas.

Lula e Ricardo Lewandowski, ministro da Justiça e Segurança Pública. Foto: Adriano Machado/Reuters

Outro ponto do plano é melhorar os índices de resolução de homicídios. Segundo dados do Instituto Sou da Paz, apenas 36% dos homicídios são esclarecidos no Brasil, abaixo da média mundial, de 63%. O decreto prevê padronização dos registros, compartilhamento de bases de dados e fortalecimento das polícias científicas e das perícias estaduais.

Na primeira versão, o programa também incluía ações específicas para proteção da Amazônia, das fronteiras e prevenção da ocupação de territórios por facções. Esses pontos, porém, devem ser anunciados em outro momento.

A segurança pública deve ganhar peso na agenda eleitoral deste ano. Em publicação nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que uma das frentes do plano será “destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções”.

Lula também citou o tema após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana passada. Segundo ele, “quem não escapou, não vai escapar mais”.

“Vamos fazer algumas frentes. Uma delas é a questão financeira. Precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções. Se a gente não destruir, eles hoje viraram em alguns casos empresas multinacionais. Eles estão em vários países, no futebol, na política, empresarial, no poder Judiciário”.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.