
Brasil, Espanha e México anunciaram uma ação conjunta para ampliar a ajuda humanitária a Cuba, em meio ao agravamento da crise na ilha. Em carta divulgada neste sábado (18), os três países afirmaram que pretendem intensificar o apoio à população cubana e adotar uma resposta coordenada diante da situação atual.
No documento, os governos declararam estar “profundamente preocupados” com a crise humanitária e defenderam medidas urgentes para evitar o agravamento das condições de vida. A nota também destaca o compromisso de ampliar a assistência de forma articulada entre os países.
A declaração reforça ainda o respeito ao direito internacional e à soberania dos Estados. Sem citar diretamente os Estados Unidos, os países afirmaram que qualquer solução deve seguir princípios como integridade territorial e resolução pacífica de conflitos, conforme a Carta das Nações Unidas.

Os três governos também defenderam a abertura de diálogo para enfrentar a crise. No texto, pedem um diálogo “sincero e respeitoso” e afirmam que o objetivo deve ser permitir que o próprio povo cubano decida seu futuro.
A crise em Cuba se intensificou nos últimos meses com o endurecimento das sanções dos Estados Unidos, que restringiram o fornecimento de petróleo à ilha. A medida agravou a escassez de energia, provocando apagões prolongados e afetando serviços essenciais como transporte, saúde e educação.
Além das sanções, fatores internos e externos contribuem para o cenário crítico, como queda no turismo, dificuldades na importação de insumos e problemas estruturais na economia. Diante desse contexto, a iniciativa conjunta busca aliviar o impacto imediato sobre a população e incentivar uma saída diplomática para a crise.
Abaixo, a íntegra do comunicado conjunto:
À luz da evolução da situação em Cuba e das circunstâncias dramáticas enfrentadas pelo povo cubano, os Governos de Brasil, Espanha e México:
1. Expressam sua profunda preocupação com a grave crise humanitária que afeta o povo cubano e instam para que sejam tomadas as medidas necessárias para aliviar essa situação e prevenir ações que agravem as condições de vida da população ou contrárias ao direito internacional. Comprometem-se a intensificar a resposta humanitária coordenada, visando a aliviar o sofrimento do povo cubano.
2. Reiteram a necessidade de respeitar, em todos os momentos, o direito internacional e os princípios da integridade territorial, da igualdade soberana e da solução pacífica de controvérsias, consagrados na Carta das Nações Unidas.
3. Reafirmam seu compromisso inabalável com os direitos humanos, os valores democráticos e o multilateralismo e, nesse contexto, fazem um chamado a um diálogo sincero, respeitoso e em conformidade com o direito internacional e com os princípios da Carta das Nações Unidas. Seu objetivo deve ser encontrar uma solução duradoura para a situação atual, a fim de criar as condições para que o próprio povo cubano decida seu futuro em total liberdade.