Brasil fecha contrato com Banco dos BRICS para construir hospital inteligente do SUS

Atualizado em 9 de janeiro de 2026 às 20:32
Presidente Lula durante cerimônia de anúncio da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS e de assinatura do contrato de empréstimo do NDB para implantação do primeiro Hospital Inteligente do Brasil
Presidente Lula durante cerimônia de anúncio da Rede Nacional de Hospitais e Serviços Inteligentes do SUS e de assinatura do contrato de empréstimo do NDB para implantação do primeiro Hospital Inteligente do Brasil – Divulgação/PR

O Brasil assinou, nesta quarta-feira (8), um contrato de aproximadamente R$ 1,7 bilhão com o Banco dos BRICS para viabilizar a construção do primeiro hospital inteligente do Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto será implantado no futuro Instituto Tecnológico de Emergência do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP). A assinatura ocorreu em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante o evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a iniciativa marca a incorporação de tecnologias avançadas diretamente na rede pública.

“É o SUS entrar de vez na nova fronteira tecnológica que está acontecendo no mundo. E vamos fazer com que isso chegue primeiro no SUS, e o SUS lidere essa incorporação tecnológica aqui no Brasil”, declarou. O financiamento será feito pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco dos BRICS, presidido por Dilma Rousseff.

Além da unidade principal no HC-USP, o projeto prevê a criação de uma rede nacional de serviços de saúde de alta precisão. O plano inclui a implantação de 14 unidades de terapia intensiva (UTIs) inteligentes em hospitais já existentes nas cinco regiões do país, além da modernização de centros considerados estratégicos, como o Hospital da Unifesp, hospitais federais, o Instituto do Cérebro, o novo hospital de Oncologia da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, e o novo Hospital do Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul.

De acordo com o Ministério da Saúde, a proposta do hospital foi apresentada ao Banco dos BRICS em março. Em outubro, Padilha esteve na China, onde firmou acordos de cooperação tecnológica com instituições chinesas e reforçou o pedido de apoio financeiro ao projeto. Em novembro, foi firmado um acordo com o governo do Estado de São Paulo para a cessão do terreno onde o hospital será construído, já que a USP é vinculada à administração estadual.

O contrato prevê que os recursos sejam liberados ao longo de quatro anos. O cronograma estabelece pagamentos de R$ 420 milhões no primeiro ano, R$ 870 milhões no segundo, R$ 440 milhões no terceiro e R$ 30 milhões no último. A previsão oficial é de que o hospital esteja concluído e em funcionamento em 2029, passando a atuar como referência nacional em saúde digital no SUS.

Segundo a médica Ludhmila Hajjar, professora de Emergências da Faculdade de Medicina da USP e idealizadora do projeto, o hospital terá 800 leitos, sendo 305 de UTI, ocupará uma área de 150 mil metros quadrados e terá capacidade para atender cerca de 200 mil pacientes por ano.

A estrutura contará com inteligência artificial, big data, internet das coisas, telessaúde, automação hospitalar, sistemas de gestão preditiva e ambulâncias conectadas por 5G. Ludhmila afirmou que a integração total de dados permitirá reduzir o tempo médio de atendimento em São Paulo, hoje estimado em 17 horas, para cerca de 2 horas.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.