
O Brasil assinou, nesta quarta-feira (8), um contrato de aproximadamente R$ 1,7 bilhão com o Banco dos BRICS para viabilizar a construção do primeiro hospital inteligente do Sistema Único de Saúde (SUS). O projeto será implantado no futuro Instituto Tecnológico de Emergência do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (HC-USP). A assinatura ocorreu em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante o evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a iniciativa marca a incorporação de tecnologias avançadas diretamente na rede pública.
“É o SUS entrar de vez na nova fronteira tecnológica que está acontecendo no mundo. E vamos fazer com que isso chegue primeiro no SUS, e o SUS lidere essa incorporação tecnológica aqui no Brasil”, declarou. O financiamento será feito pelo Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco dos BRICS, presidido por Dilma Rousseff.
Além da unidade principal no HC-USP, o projeto prevê a criação de uma rede nacional de serviços de saúde de alta precisão. O plano inclui a implantação de 14 unidades de terapia intensiva (UTIs) inteligentes em hospitais já existentes nas cinco regiões do país, além da modernização de centros considerados estratégicos, como o Hospital da Unifesp, hospitais federais, o Instituto do Cérebro, o novo hospital de Oncologia da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, e o novo Hospital do Grupo Hospitalar Conceição, no Rio Grande do Sul.
HISTÓRICO: O Brasil terá seu primeiro hospital inteligente público. Hoje, assinamos contrato de R$ 1,7 bi com o Banco do BRICS para sua construção. O projeto será implantado no HC da USP e, junto a 14 UTIs inteligentes em todas as regiões do país, integrará a Rede Nacional Agora… pic.twitter.com/fxld4PEOGA
— Alexandre Padilha (@padilhando) January 7, 2026
De acordo com o Ministério da Saúde, a proposta do hospital foi apresentada ao Banco dos BRICS em março. Em outubro, Padilha esteve na China, onde firmou acordos de cooperação tecnológica com instituições chinesas e reforçou o pedido de apoio financeiro ao projeto. Em novembro, foi firmado um acordo com o governo do Estado de São Paulo para a cessão do terreno onde o hospital será construído, já que a USP é vinculada à administração estadual.
O contrato prevê que os recursos sejam liberados ao longo de quatro anos. O cronograma estabelece pagamentos de R$ 420 milhões no primeiro ano, R$ 870 milhões no segundo, R$ 440 milhões no terceiro e R$ 30 milhões no último. A previsão oficial é de que o hospital esteja concluído e em funcionamento em 2029, passando a atuar como referência nacional em saúde digital no SUS.
Segundo a médica Ludhmila Hajjar, professora de Emergências da Faculdade de Medicina da USP e idealizadora do projeto, o hospital terá 800 leitos, sendo 305 de UTI, ocupará uma área de 150 mil metros quadrados e terá capacidade para atender cerca de 200 mil pacientes por ano.
A estrutura contará com inteligência artificial, big data, internet das coisas, telessaúde, automação hospitalar, sistemas de gestão preditiva e ambulâncias conectadas por 5G. Ludhmila afirmou que a integração total de dados permitirá reduzir o tempo médio de atendimento em São Paulo, hoje estimado em 17 horas, para cerca de 2 horas.