Brasil inicia testes em humanos de vacina contra crack e cocaína

Atualizado em 21 de fevereiro de 2026 às 15:02
Vacina experimental, Calixcoca, contra a dependência de cocaína e crack. Foto: Divulgação/Faculdade de Medicina da UFMG

O Brasil deve iniciar em breve os testes em humanos da vacina contra a dependência de crack e cocaína. O anúncio foi feito pelo ministro da Educação, Camilo Santana, nesta mês, durante um evento no Espírito Santo. Segundo ele, restam apenas ajustes documentais para que os ensaios clínicos comecem.

Batizada de Calixcoca, a vacina foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais. De acordo com o ministro, a fase atual envolve a preparação da documentação necessária para autorizar a etapa de testes em voluntários.

Antes de chegar a esse ponto, o imunizante passou por experimentos em laboratório e apresentou resultados considerados inovadores em animais. A tecnologia já obteve patente no Brasil e no exterior, o que reforça o estágio avançado da pesquisa.

O coordenador do estudo, Frederico Duarte Garcia, explica que a vacina estimula a produção de anticorpos capazes de se ligar à droga na corrente sanguínea. Com isso, a substância não alcança o cérebro e perde o efeito psicoativo. A proposta é que o tratamento atue como apoio para pessoas em abstinência que buscam evitar recaídas.

Caso seja aprovada após as etapas clínicas, a Calixcoca poderá se tornar a primeira vacina do mundo voltada a bloquear os efeitos da cocaína e do crack. O ministro afirmou que o projeto tem potencial para transformar a abordagem terapêutica da dependência química.

Em 2023, a pesquisa foi reconhecida internacionalmente ao vencer o Prêmio Euro Inovação na Saúde na categoria Destaque. A equipe recebeu 500 mil euros, cerca de R$ 2,5 milhões, em premiação concedida pela farmacêutica Eurofarma, que atua em 20 países.