Brasil no meio da guerra fria entre EUA e China pelo monopólio da espionagem. Por Helena Chagas

Donald Trump/Photo by Shealah Crajghead/White House

Publicado originalmente no site Os Divergentes

POR HELENA CHAGAS

Deu no Wall Street Journal há pouco: os Estados Unidos estão pressionando países aliados a não usar mais equipamentos de telecomunicações produzidos pela chinesa Huawei, uma das maiores fabricantes do mundo, sob suspeita de permitirem o funcionamento de gigantescas redes de espionagem eletrônica. Os americanos estão fazendo uma ofensiva junto a empresas de telecomunicações e provedores de acesso à internet em países como Alemanha, Italia e Japão, argumentando que a empresa, que fornece componentes para redes – inclusive governamentais – seria vulnerável à influência de autoridades chinesas.

A Huawei é uma gigante chinesa, terceira maior fabricante de celulares no mundo, além de equipamentos para redes de grande porte usados por empresas para montar suas redes de 3G, 4G e, peoximamente, em dois ou três anos, de 5G. No Brasil, a empresa já é a maior fornecedora desses equipamentos e tem fábricas terceirizadas por aqui, que montan os equipamentos com componentes enviados da China.

É bem provável que o novo governo do Brasil, que anda ansioso em se aproximar dos EUA, receba algum recado de Donald Trump nesse sentido. O que fará Jair Bolsonaro? – indagam setores da diplomacia e do empresariado ligados ao setor de telecomunicações. O novo presidente, que já teve lá sua rusga com os chineses por declarações mal colocadas de que a China quer “comprar” o Brasil, ficará entre a cruz americana e a caldeirinha dos chineses – que, afinal, são nossos principais parceiros comerciais.

O lado curioso da história é que os Estados Unidos, que já baniram a Huawei de suas relações comerciais, acusam os chineses de supostamente fazer o que eles fizeram, nos idos de 2013, quando foi revelado que a NSA espionava inclusive autoridades de outros países – como a ex-presidente Dilma Rousseff e a primeira ministra alemã Angela  Merkel – coletando dados através das grandes redes de telecomunicações.

A guerra fria tecnológica agora parece ser pelo monopólio da espionagem…

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