Derrota para a Noruega entra para lista de traumas do Brasil em Copas; relembre os maiores

Atualizado em 6 de julho de 2026 às 10:22
Neymar, Raphinha, Vinicius Junior e Endrick no gramado após partida da seleção brasileira
Neymar, Raphinha, Vinicius Junior e Endrick no gramado após partida da seleção brasileira. Foto: Reprodução

A eliminação da Seleção brasileira por 2 a 1 nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 entrou para a lista das derrotas mais dolorosas do país no torneio. O resultado marcou o pior desempenho do Brasil desde 1990 e ampliou um jejum que chegará a 28 anos sem título mundial até a Copa de 2030.

Um levantamento da BBC News Brasil com especialistas em futebol reuniu os principais traumas da Seleção em Copas. O Brasil segue como o único país presente em todas as 23 edições do torneio, tem cinco títulos mundiais e acumula 18 eliminações ao longo da história.

O 7 a 1 para a Alemanha, em 2014, aparece entre os episódios mais lembrados. A Seleção comandada por Luiz Felipe Scolari jogava em casa, no Mineirão, em Belo Horizonte, e levou quatro gols entre os 23 e os 29 minutos do primeiro tempo, em um apagão que virou marca histórica da campanha.

O historiador Marcel Tonini, doutor pela USP e pesquisador do Centro de Referência do Futebol Brasileiro, definiu a derrota como “um balde de água fria, aquele desastre tático”. Para o jornalista e pesquisador Celso Unzelte, “perder para a Alemanha seria um resultado absolutamente normal. O placar é que não foi”.

Placar exibe o 7×1 para a Alemanha em 2014. Foto: reprodução

Maracanazo expôs derrota esportiva e ferida racial

Em 1950, o Brasil entrou no jogo decisivo contra o Uruguai com vantagem no quadrangular final e clima de título antecipado no recém-inaugurado Maracanã. Friaça abriu o placar no início do segundo tempo, mas Schiaffino empatou e Ghiggia marcou o gol da virada uruguaia a pouco mais de 10 minutos do fim.

Tonini aponta que a derrota ganhou peso social porque a imprensa passou a culpar de forma especial Bigode, Juvenal e Barbosa, três jogadores negros. O sociólogo Rogério Baptistini, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie, afirmou que Barbosa virou “bode expiatório” em um país marcado pela herança da escravidão e pelas desigualdades raciais.

A final de 1998 contra a França entrou na memória pela convulsão de Ronaldo antes da partida e pelas dúvidas sobre a escalação. O atacante chegou a ficar fora da formação anunciada, Edmundo apareceu como substituto, mas Ronaldo entrou como titular; a França venceu por 3 a 0, com atuação decisiva de Zinédine Zidane.

A chamada Tragédia do Sarriá, em 1982, deixou outra ferida. A Seleção de Telê Santana, com Zico, Sócrates, Falcão e Júnior, encantava pelo estilo ofensivo, mas caiu diante da Itália, que teve três gols de Paolo Rossi e depois conquistou o tricampeonato mundial.

Em 1966, o Brasil sofreu uma eliminação na primeira fase mesmo com nomes como Pelé, Garrincha, Tostão e Jairzinho. A equipe vinha de dois títulos mundiais, estreou com vitória sobre a Bulgária e depois perdeu por 3 a 1 para Hungria e Portugal, resultado que interrompeu o sonho do tricampeonato seguido.

A Batalha de Berna, em 1954, também aparece entre os traumas. A Seleção buscava superar o Maracanazo, já usava a camisa amarela escolhida em concurso e caiu por 4 a 2 contra a Hungria em uma partida com três expulsões, dois pênaltis e briga generalizada depois do apito final.

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