
O Brasil registrou em 2024 a menor taxa de homicídios dos últimos 11 anos, segundo o Atlas da Violência 2026, divulgado nesta terça (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Foram contabilizados oficialmente 42.590 homicídios, o equivalente a 20,1 mortes por 100 mil habitantes. Em relação a 2023, houve redução de 7,4% na taxa e de 6,9% no número absoluto de vítimas.
O levantamento atribui a queda a fatores como políticas de segurança pública baseadas em diagnósticos locais, mudanças nas dinâmicas das organizações criminosas e ao envelhecimento da população brasileira.
“Os remédios que aparentemente funcionam, ou pelo menos funcionaram em outras cidades e países, e que a ciência diz que funcionam, precisam ser considerados. É preciso fazer política baseada em evidência e montar um sistema de gestão que integre ações de curto prazo, com repressão qualificada da polícia, e ações intersetoriais de prevenção social à violência”, afirmou Daniel Cerqueira, coordenador do Atlas.
Segundo ele, esse modelo vem sendo adotado por estados e municípios em diferentes regiões do país. Os pesquisadores alertam, porém, que os números oficiais devem ser analisados com cautela devido ao crescimento das chamadas mortes violentas por causa indeterminada.
Utilizando metodologia baseada em aprendizado de máquina para estimar homicídios não identificados oficialmente, o Atlas calcula que o país pode ter registrado 49.673 homicídios em 2024. Nesse cenário, a taxa sobe para 23,4 mortes por 100 mil habitantes e a queda em relação ao ano anterior seria de apenas 0,4%.
A redução da violência também ocorreu no longo prazo. Entre 2014 e 2024, a taxa nacional de homicídios caiu 33,4%, enquanto o número de vítimas recuou 29,6%. Apesar disso, a distribuição da violência continua desigual.

As maiores taxas oficiais em 2024 foram registradas no Amapá (45,7), Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3). Já São Paulo (6,6), Santa Catarina (8,1), Distrito Federal (10,3), Minas Gerais (12,8) e Rio Grande do Sul (15,2) apresentaram os menores índices.
O Atlas aponta ainda que os homicídios permanecem concentrados em um número reduzido de municípios. Metade de todas as mortes registradas no país ocorreu em apenas 99 cidades, o equivalente a cerca de 1,8% dos municípios brasileiros.
Entre os municípios com mais de 100 mil habitantes, as maiores taxas estimadas foram observadas em Maranguape (CE), Jequié (BA), Maracanaú (CE), Itapipoca (CE) e Caucaia (CE).
Entre as capitais, Salvador apresentou a maior taxa estimada de homicídios em 2024, com 52,7 mortes por 100 mil habitantes, seguida por Maceió, Macapá, Recife e Fortaleza. As menores taxas foram registradas em Florianópolis, Distrito Federal, Curitiba, Goiânia e São Paulo.
O relatório também mostra o avanço dos chamados homicídios ocultos, óbitos registrados como outra causa que podem ser resultado de assassinato, que passaram de 3.755 para 7.083 casos em um ano, crescimento de 88,6%, indicando dificuldades na identificação da causa de parte das mortes violentas registradas no país.