Brasileiro preso pelo ICE relata tortura após quatro meses detido na “Alcatraz dos Jacarés”

Atualizado em 9 de fevereiro de 2026 às 20:45
O brasileiro Anderson Crivelaro. Foto: GloboNews

O brasileiro Anderson Crivelaro relatou ter sofrido maus-tratos durante os quatro meses em que permaneceu detido por agentes do Immigration and Customs Enforcement nos Estados Unidos. Ele foi preso em agosto de 2025 e permaneceu em um centro de detenção para imigrantes na Flórida antes de ser deportado ao Brasil. Com informações do g1.

Segundo Anderson, ele entrou nos Estados Unidos em 2021 com visto de turismo e deu início a um processo de legalização da permanência no país. Ainda assim, foi abordado por agentes do ICE e recebeu uma alternativa. “Ou nós pegamos você e suas duas filhas, colocamos no avião agora para você ir para o seu país, ou nós te mandamos para Miami”, relatou. “E eu tomei a decisão de deixar elas no país e eu ir para Miami.”

O brasileiro foi encaminhado a um centro de detenção conhecido como “Alcatraz dos Jacarés”, localizado em uma região de pântano no sul da Flórida. O local ganhou o apelido por estar cercado por uma área onde vivem milhares de jacarés. A unidade é destinada a imigrantes que aguardam deportação.

Trump visita ‘Alcatraz dos jacarés’, novo centro de detenção de imigrantes na Flórida, em 1º de julho de 2025. Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein

Durante o período em que esteve detido, Anderson afirmou que enfrentou restrições severas. “A comida era escassa, você comia dali [sic] uma hora, você estava com fome”, disse. Ele também relatou limitações no acesso a higiene. “Eram três banhos por semana, banho de no máximo 10 minutos.”

Ainda segundo o relato, as condições ambientais eram usadas como forma de pressão. “Eles tinham um sistema de ventilação soltando um ar frio no máximo. Todos os seguranças de blusa, e nós não”, afirmou. Para Anderson, a situação configurava tortura. “Era tanto psicológica quanto física, quanto mental”, disse.

O relatório anual da Anistia Internacional, divulgado em 2025, apontou violações de direitos humanos na unidade. Anderson foi deportado e está impedido de retornar aos Estados Unidos por dez anos. “Não pude nem dar o último abraço nas minhas filhas”, afirmou. Ele não as vê desde o dia de sua detenção, em 19 de agosto de 2025.