
Um professor brasileiro que trabalha na Tumbler Ridge Secondary School viveu momentos de tensão durante o ataque a tiros que deixou 10 mortos na cidade canadense. Jarbas Noronha contou que precisou se esconder por mais de duas horas com seus alunos enquanto a polícia cercava a escola.
O ataque ocorreu por volta das 13h20 no horário local (19h20 em Brasília). Segundo a polícia, ao menos seis pessoas foram encontradas mortas dentro da escola, outra morreu a caminho do hospital e duas vítimas morreram em uma residência ligada ao caso. A suposta atiradora também foi encontrada morta, com ferimento aparentemente autoinfligido.
Jarbas estava dando aula de mecânica automotiva quando um estudante relatou ter ouvido disparos. Em entrevista ao New York Times, ele explicou que os alunos aprendiam a trocar óleo e alguns tinham permissão para mexer nos próprios carros. Diante da suspeita de ataque, o professor e os 15 estudantes improvisaram uma barricada na oficina, localizada longe da entrada principal.
“Estávamos na parte mais segura”, contou. “Se alguém tentasse invadir pela porta do corredor, correríamos para o pátio pelas portas da garagem”, detalhou. Ele relatou que trancou a porta do corredor e duas portas que davam acesso ao pátio, usando bancos de metal como bloqueio.
— Jarryd Jäger (@JarrydJaeger) February 11, 2026
O professor afirmou que a posse de armas é comum na cidade. “Esta é uma cidade de caçadores”, disse, ao comentar sua percepção desde que se mudou do Brasil em 2022. O grupo permaneceu escondido até que policiais bateram à porta e conduziram todos a um local seguro.
Após o resgate, Jarbas publicou nas redes sociais: “Não desejo a nenhuma criança em idade escolar tenha que passar o que meus alunos passaram hoje. Ainda processando. Nossa sociedade está doente”, escreveu.
Além da mecânica, ele também leciona marcenaria. “Essa foto resume a união de duas paixões: A mercenaria e a sala de aula. Não mais que de repente, tornei-me professor de mercenaria para os alunos do ensino médico da escola local”, publicou no ano passado.
O superintendente da polícia local, Ken Floyd, afirmou que a identidade da suspeita foi confirmada, mas não será divulgada para preservar a investigação. Ele disse que seria “imprudente especular” sobre nomes e idades neste momento. Floyd também declarou: “Acho que teremos dificuldades para determinar o ‘porquê’, mas faremos o possível para descobrir o que aconteceu”.
Duas pessoas foram levadas de helicóptero ao hospital em estado grave. Outros 25 feridos seguem em avaliação médica, sem risco de morte, segundo a CBC News.
Cerca de 100 alunos e funcionários foram evacuados com segurança. A Divisão de Crimes Graves da Polícia da Colúmbia Britânica assumiu o caso, e “Recursos adicionais da polícia continuam sendo mobilizados na comunidade para apoiar a resposta e a investigação”.