Brasileiros confiam menos na mídia hereditária do que em amigos nas redes, aponta pesquisa

Atualizado em 9 de abril de 2026 às 15:11
Andréia Sadi e o PowerPoint na GloboNews

Um levantamento sobre consumo de informação no Brasil mostra que usuários de internet confiam menos em conteúdos produzidos pela mídia hereditária do que em mensagens compartilhadas por amigos e familiares em redes sociais e aplicativos, diz matéria de Patrícia Campos Mello na Folha de S.Paulo.

De acordo com a pesquisa TIC, 48% dos brasileiros desconfiam sempre ou na maioria das vezes de notícias produzidas por veículos da velha imprensa. Esse índice é superior ao registrado para conteúdos vindos de contatos próximos: 39% desconfiam de informações de amigos em redes sociais e 42% de mensagens recebidas em aplicativos.

O levantamento foi feito com usuários de internet no Brasil elaborada pelo Comitê Gestor da Internet, pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) que será divulgada nesta sexta-feira (10), relata a reportagem.

O estudo também aponta baixa checagem de informações. Apenas 36% dos usuários afirmam verificar sempre a veracidade de conteúdos recebidos, enquanto 28% dizem checar na maioria das vezes. Por outro lado, 14% admitem que verificam poucas vezes ou nunca.

Os dados foram coletados em entrevistas online com 5.250 usuários de internet com 16 anos ou mais, realizadas entre agosto e setembro de 2025. A pesquisa foi conduzida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), pelo NIC.br e pelo Cetic.br.

Segundo a coordenadora do CGI.br, Renata Mieli, os resultados indicam fragilidade na formação da opinião pública. Ela afirmou que a confiança no interlocutor tem pesado mais do que a veracidade do conteúdo compartilhado.

O levantamento mostra ainda que o consumo de notícias ocorre majoritariamente por meios digitais. Cerca de 60% dos usuários acessam informações diariamente por aplicativos de mensagens, 52% por vídeos curtos e 50% por plataformas de vídeo. Esses índices superam os de meios tradicionais como telejornais (45%) e sites de notícias (37%).

Há também diferenças por renda e escolaridade. Entre usuários das classes A e B, 58% acessam notícias diariamente em portais online, enquanto nas classes C, D e E os índices caem para 33% e 27%, respectivamente.

A pesquisa indica que 65% da população consome notícias todos os dias, mas esse percentual cai para 46% entre jovens de 16 a 24 anos. O estudo também registra um cenário de desinteresse e saturação, com parte dos entrevistados afirmando não ver sentido em verificar informações devido à polarização.

Entre os motivos apontados para não checar conteúdos estão falta de tempo (33%), esquecimento (36%), desinteresse (33%) e a crença de que a informação já é verdadeira (31%) ou falsa (25%).

No uso de plataformas, o WhatsApp lidera com 91% de uso diário, seguido por Instagram e YouTube (73%), Facebook (57%) e TikTok (50%).

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