
Um levantamento sobre consumo de informação no Brasil mostra que usuários de internet confiam menos em conteúdos produzidos pela mídia hereditária do que em mensagens compartilhadas por amigos e familiares em redes sociais e aplicativos, diz matéria de Patrícia Campos Mello na Folha de S.Paulo.
De acordo com a pesquisa TIC, 48% dos brasileiros desconfiam sempre ou na maioria das vezes de notícias produzidas por veículos da velha imprensa. Esse índice é superior ao registrado para conteúdos vindos de contatos próximos: 39% desconfiam de informações de amigos em redes sociais e 42% de mensagens recebidas em aplicativos.
O levantamento foi feito com usuários de internet no Brasil elaborada pelo Comitê Gestor da Internet, pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) que será divulgada nesta sexta-feira (10), relata a reportagem.
O estudo também aponta baixa checagem de informações. Apenas 36% dos usuários afirmam verificar sempre a veracidade de conteúdos recebidos, enquanto 28% dizem checar na maioria das vezes. Por outro lado, 14% admitem que verificam poucas vezes ou nunca.
Os dados foram coletados em entrevistas online com 5.250 usuários de internet com 16 anos ou mais, realizadas entre agosto e setembro de 2025. A pesquisa foi conduzida pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), pelo NIC.br e pelo Cetic.br.
Segundo a coordenadora do CGI.br, Renata Mieli, os resultados indicam fragilidade na formação da opinião pública. Ela afirmou que a confiança no interlocutor tem pesado mais do que a veracidade do conteúdo compartilhado.
O levantamento mostra ainda que o consumo de notícias ocorre majoritariamente por meios digitais. Cerca de 60% dos usuários acessam informações diariamente por aplicativos de mensagens, 52% por vídeos curtos e 50% por plataformas de vídeo. Esses índices superam os de meios tradicionais como telejornais (45%) e sites de notícias (37%).
Há também diferenças por renda e escolaridade. Entre usuários das classes A e B, 58% acessam notícias diariamente em portais online, enquanto nas classes C, D e E os índices caem para 33% e 27%, respectivamente.
A pesquisa indica que 65% da população consome notícias todos os dias, mas esse percentual cai para 46% entre jovens de 16 a 24 anos. O estudo também registra um cenário de desinteresse e saturação, com parte dos entrevistados afirmando não ver sentido em verificar informações devido à polarização.
Entre os motivos apontados para não checar conteúdos estão falta de tempo (33%), esquecimento (36%), desinteresse (33%) e a crença de que a informação já é verdadeira (31%) ou falsa (25%).
No uso de plataformas, o WhatsApp lidera com 91% de uso diário, seguido por Instagram e YouTube (73%), Facebook (57%) e TikTok (50%).