Brasileiros são prejudicados por quebra do Ueno Bank no Paraguai; entenda

Atualizado em 5 de novembro de 2026 às 15:40
Sede do Ueno Bank no Paraguai. Foto: Reprodução

Brasileiros e descendentes que vivem no Paraguai estão entre os clientes sem acesso a depósitos e investimentos após a interrupção das operações do Ueno Bank, segundo o jornal O Globo. O Banco Central do Paraguai interveio na instituição depois de considerá-la insolvente, e a crise atingiu pessoas que mantinham todos os recursos no banco digital.

O Ueno chegou a 2,9 milhões de clientes, número equivalente a cerca de 40% da população paraguaia, estimada em 7,1 milhões de habitantes. Quem tinha contas em outras instituições conseguiu reduzir os efeitos do bloqueio, enquanto clientes dependentes do banco enfrentaram dificuldades para movimentar dinheiro.

A empresária Isabela, de 21 anos, transferiu suas economias para o Itaú após ouvir rumores sobre a situação do Ueno. A mãe e a irmã dela, porém, mantiveram recursos na instituição e tiveram os valores bloqueados. Filha de brasileiro e moradora de Santa Rita, ela afirmou que os comentários sobre um possível fechamento circulavam havia meses.

O engenheiro de software Dellean Santos Teixeira, carioca que mora no Paraguai há três anos, também tem conta no Ueno, mas distribui recursos entre diversas instituições, principalmente fora do país. Em grupos de brasileiros, ele acompanha relatos de pessoas que ficaram sem alternativa: “Tem uma galera que só tinha Ueno e ficou apertada”.

Clientes fazem fila na porta do Banco Familiar, tentando resgatar dinheiro, após terem suas contas no Ueno, que quebrou, bloqueadas. Foto: Reprodução

Facilidade para abrir conta atraiu imigrantes brasileiros

Isabela e Dellean apontam a abertura rápida de contas como uma das razões para a expansão do banco. Isabela abriu sua primeira conta bancária no Ueno há três anos e relatou que bastava enviar uma foto do rosto e outra segurando a cédula de identidade. “A facilidade foi a maior isca deles”, disse.

Em bancos tradicionais do Paraguai, a abertura de conta pode levar até uma semana e exige documentos para comprovar a origem da renda, relatou Isabela. Dellean disse que a burocracia dificulta o acesso de trabalhadores informais ao sistema financeiro e destacou que o Ueno permitia fazer todas as operações pelo aplicativo, sem ida a uma agência.

A crise provocou a prisão preventiva de oito executivos ou ex-executivos do Ueno Bank e levou Santiago Peña a renunciar à Presidência do Paraguai. O episódio também resultou na saída de dois diretores da autoridade monetária, enquanto centenas de clientes foram às ruas cobrar a liberação imediata dos valores. A Câmara dos Deputados analisa nesta quinta-feira (05) um pedido de impeachment contra Peña.

O Banco Central do Paraguai anunciou a devolução de R$ 14 milhões a clientes a partir desta sexta-feira (06). Isabela ainda relata incerteza sobre a fatura de seu cartão de crédito, que venceu durante a indisponibilidade dos serviços, e diz que o banco enviava notificações com promessa de 50% de cashback em compras pouco antes da interrupção das operações.

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