
A Polícia Federal abriu um inquérito para apurar indícios de gestão fraudulenta no Banco de Brasília, instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal, após operações bilionárias envolvendo o Banco Master. A investigação mira especialmente a compra de carteiras de crédito que podem ter causado um prejuízo estimado em até R$ 5 bilhões ao banco público.
A apuração, segundo Miriam Leitão, do Globo, busca esclarecer se houve falhas graves nos mecanismos internos de controle, governança e análise de risco do BRB. O foco recai sobre a aquisição, ao longo de 2024, de carteiras vendidas pelo Banco Master que não pertenciam efetivamente à instituição comandada por Daniel Vorcaro e que não contavam com garantias reais.
Ao todo, o BRB desembolsou cerca de R$ 12 bilhões nessas operações. Apesar do rombo potencial, o banco afirmou, em nota divulgada em janeiro, que segue financeiramente estável e que o governo do Distrito Federal já sinalizou a possibilidade de realizar um “aporte direto” para cobrir eventuais prejuízos decorrentes das transações questionadas.
No próximo mês, a instituição deverá divulgar seu balanço financeiro, que trará a dimensão exata das perdas.
Além das compras de carteiras, a Polícia Federal investiga a tentativa frustrada do BRB de adquirir parte relevante do Banco Master ao longo de 2025.

A operação, apoiada politicamente pelo governo do DF, acabou barrada pelo Banco Central. Em novembro, uma operação conjunta da PF e do Ministério Público resultou no afastamento do então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, posteriormente demitido em definitivo.
Paralelamente às apurações criminais, o Banco Central, o Ministério Público, a nova diretoria do BRB e uma auditoria independente analisam os negócios firmados com o Master. Até agora, nenhum desses órgãos divulgou conclusões finais.
As investigações também se concentram em um esquema envolvendo a emissão de cerca de R$ 50 bilhões em certificados de depósito bancário (CDBs) pelo Banco Master. Segundo a PF e o Banco Central, os títulos ofereciam juros acima do mercado sem que o banco tivesse liquidez comprovada para honrá-los. Parte dos recursos foi aplicada em ativos inexistentes, ligados a créditos de uma empresa chamada Tirreno.
Esses créditos, adquiridos sem pagamento efetivo, foram revendidos ao BRB por R$ 12,2 bilhões, sem documentação adequada, em uma tentativa de reforçar artificialmente o caixa do Master. As operações ocorreram justamente enquanto o BRB buscava convencer os órgãos reguladores de que a compra do banco privado era viável.
O Banco Master acabou liquidado em novembro pelo Banco Central, após a constatação de alto custo de captação e exposição excessiva a investimentos de risco, com juros muito acima do padrão de mercado.