Briga com Michelle e fala de aliado criaram obstáculo inesperado para a campanha de Flávio Bolsonaro

Atualizado em 5 de julho de 2026 às 11:41
Flávio Bolsonaro
Senador Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

Flávio Bolsonaro enfrenta uma nova barreira entre eleitoras após a crise pública com Michelle Bolsonaro e a declaração machista do blogueiro Paulo Figueiredo, aliado do clã, que disse que “mulher vota mal pra c…”. O episódio atingiu uma estratégia do senador para se afastar da rejeição feminina que marcou a trajetória política de Jair Bolsonaro.

Em coluna no Globo, Bernardo Mello Franco afirma que Flávio levou seis dias para declarar que discordava de Paulo Figueiredo, descrito como seu estrategista e porta-voz nos Estados Unidos. A fala do blogueiro entrou no debate justamente quando o senador tenta reduzir resistências no eleitorado feminino.

A crise ganhou força depois que Michelle deixou a presidência do PL Mulher na terça-feira (30), após dizer que se sentiu “maltratada”, “desrespeitada” e “humilhada” pelo enteado e presidenciável. A ex-primeira-dama havia assumido o posto em março de 2023.

Desde que gravou um vídeo para expor a desavença familiar, Michelle passou a receber ataques de figuras influentes da extrema direita. Entre as ofensas citadas, apareceram “traidora” e “feminista”, termo tratado como insulto dentro do universo bolsonarista.

Michelle Bolsonaro
Michelle Bolsonaro com cabelo solto e blusa clara. Foto: Reprodução.

Michelle ampliou a presença feminina no PL antes da ruptura

À frente do PL Mulher, Michelle tinha orçamento para eventos, propaganda e viagens pelo país. Nesse período, filiou mais de 70 mil mulheres ao partido, planejava disputar uma vaga ao Senado e trabalhava para eleger candidatas evangélicas em diferentes estados.

A movimentação da ex-primeira-dama também gerou incômodo na família Bolsonaro. A desenvoltura de Michelle alimentou, entre os filhos de Jair Bolsonaro, a suspeita de que ela pretendia liderar uma bancada própria no Congresso a partir de 2027.

O ambiente do PL Mulher já havia exposto contradições no dia em que Michelle assumiu a presidência do grupo. Na ocasião, os homens dominaram o microfone: Jair Bolsonaro participou por vídeo, e depois discursaram Valdemar Costa Neto, Altineu Côrtes, Jorginho Mello e Magno Malta.

Jorginho reclamou do “sacrifício” e do “sofrimento” de encontrar nomes para preencher a cota de 30% de candidaturas femininas. “Nós precisamos aumentar essa chorumela de que sempre falta mulher para disputarem” (sic), afirmou. Magno Malta provocou a comunidade trans ao dizer: “Mulher é mais forte porque nasceu com uma peça a mais. Mulher tem útero”.

O voto feminino foi decisivo para a derrota de Jair Bolsonaro há quatro anos, em meio ao desgaste provocado pelo culto às armas, pela condução da pandemia e por declarações e atitudes misóginas. Flávio tentou se apresentar como diferente dessa herança e chegou a usar uma camiseta com a inscrição “pai de menina”.

A disputa agora ocorre em um segmento no qual Lula abriu 15 pontos de vantagem no Datafolha. Michelle, ao discursar quando assumiu o PL Mulher, chamou Jair Bolsonaro de “grande líder” e disse que muitas mulheres resistem a “entrar no ambiente hostil da política”.

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