“Bullying por ser rica”: a explicação ridícula de Túlio Maravilha para odiar a universidade pública

Atualizado em 10 de fevereiro de 2026 às 16:17
Cristiane, Tulianne (filha do casal) e Túlio Maravilha. Foto: reprodução

Cada desdobramento do caso de Túlio Maravilha e a família que impediu a filha de estudar em uma universidade pública escancara mais e mais a hipocrisia e burrice da família tradicional brasileira. Em nova publicação nas redes sociais, a mulher do ex-jogador afirmou que a decisão foi tomada para preservar a adolescente de possíveis episódios de hostilidade e “bullying” relacionados à condição financeira da família.

Vamos lá: Túlio Maravilha é ex-atacante do Botafogo, respeitado no futebol mas defensor de opiniões políticas e estéticas vergonhosas (existe esse “mas” ou jogador é assim mesmo? Prefiro não comentar), além de uma postura midiática fora de campo (pra não dizer que ele só gosta de chamar atenção mesmo).

A hipocrisia é tanta que o querido, que disse que a universidade pública corrompe os valores da família, posou pelado para a revista G Magazine, conhecida por atrair o público gay.
Um cara desses deve arrotar que “odeia viado”, a não ser que paguem pra ele excitar o viado.

Ensaio de Túlio Maravilha para a G Magazine

A mãe, Cristiane Maravilha, uma modelo fitness e participante de reality show fútil como tantas, também aproveitou a oportunidade de aparecer e reagiu xingando os haters de “mal resolvidos” e dizendo que foi mal interpretada.

Sem o menor senso do ridículo, a mulher ainda justificou que a filha “poderia sofrer bullying por ter dinheiro e status social elevado”.

É a “ricofobia”. Pode rir.

E a vergonha não para nunca: depois da polêmica, viralizou uma denúncia de assédio de Túlio à apresentadora Barbara Coelho.

A vítima disse que ele a levou até uma cabine de edição e, após comentar que ele estava “bem fisicamente”, o jogador respondeu: “Quer ver?”, e mostrou a foto do p*u sem contexto e sem consentimento.

Típico.

Outra coisa muito latente nesse caso que mais uma vez mostra a cara patética da elite brasileira é a demonização da academia, um clássico dos ricos hipocritas.

Não só porque os filhos deles não passam, mas, olhando mais profundamente, porque a universidade pública não vende conhecimento, mas, diferente das privadas, o produz para provocar reflexões e transformações na sociedade, mas é preciso ser ao menos um pouco inteligente pra isso.

A filha Tulianne passou no vestibular numa faculdade pública, mas é exceção.

A regra são os Fabinhos (personagem do filme “Que Horas Ela Volta?), que não passam e são mandados para um intercâmbio nos Estados Unidos.

O conservador brasileiro (na verdade, no mundo todo), sempre esconde segredos tenebrosos: estupros, assédios, importunações sexuais, traições, cocaína e filhos e filhas que geralmente não aparentam os demônios que são, e dizem valorizar os “valores da família” enquanto, muitas vezes, gastam o dinheiro dos pais com drogas.

É só visitar uma clínica de recuperação de alto padrão: só tem filhinho de papai que fez m*rda e foi jogado lá porque os pais não querem lidar com o problema, só querem pagar pra não terem que se preocupar com nada.

No fundo, não é sobre nudez ou escolha universitária — é sobre a velha performance moral de quem transforma privilégio em virtude e crítica em perseguição. Quando a retórica dos “valores” serve apenas para disciplinar os outros enquanto a própria biografia permanece convenientemente fora de pauta, o discurso deixa de ser ética e vira espetáculo. E espetáculo, como sabemos, exige plateia — mas nunca suporta espelho.

Nathalí Macedo
Nathalí Macedo, escritora baiana com 15 anos de experiência e 3 livros publicados: As mulheres que possuo (2014), Ser adulta e outras banalidades (2017) e A tragédia política como entretenimento (2023). Doutora em crítica cultural. Escreve, pinta e borda.