
As buscas por Ágatha Isabelly, 6 anos, e Allan Michel, 4 anos, entraram no sexto dia sem sinais concretos do paradeiro dos irmãos desaparecidos em Bacabal, no Maranhão. Mais de 400 pessoas participam da operação, segundo o prefeito Roberto Costa (MDB).
O caso mobiliza forças de segurança estaduais, equipes municipais e moradores do povoado de São Sebastião dos Pretos, área quilombola onde as crianças vivem. A operação ganhou novo fôlego após o resgate do primo das crianças, Anderson Kauã, 8 anos, encontrado desidratado e desorientado na última quarta-feira (7).
De acordo com o governador Carlos Brandão, o menino está sob cuidados médicos. A Secretaria de Segurança Pública informou que ele chegou ao hospital “com quadro de desidratação e desorientado”. Ainda segundo a pasta, “ele está consciente, com quadro de saúde estável e segue internado”.
O ponto exato onde Kauã foi localizado passou a concentrar os esforços, com uso de drones, cães farejadores, veículos especiais e dois helicópteros. A operação reúne Polícia Civil, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Força Estadual Integrada de Segurança Pública, além de equipes da Prefeitura de Bacabal e moradores voluntários.
As crianças desapareceram no domingo após saírem para brincar na mata. Os três foram vistos pela última vez por volta das 16h. As famílias acionaram as autoridades ainda naquela noite, e o Corpo de Bombeiros iniciou a varredura na segunda-feira.

A região, descrita como uma área vasta e cercada por vegetação fechada, é conhecida pelas famílias, o que reforça a estranheza das autoridades. “Elas convivem no dia a dia (com a mata). O desaparecimento delas nos causa estranheza”, afirmou o prefeito em redes sociais.
As hipóteses investigadas incluem perda na mata e possibilidade de sequestro, alimentada por familiares que insistem que as crianças conhecem bem o terreno.
O pai de Kauã diz acreditar que o filho não teria se desorientado sozinho. “Se perder, meu menino não se perde nesse mato. Ele já é acostumado a rodar aqui comigo. Eu acho que foi um sequestro. A esperança é encontrar nossos filhos vivos”, afirmou José Wanderson Cardoso.
O avô das crianças compartilha a mesma visão. “Não tem rastro nenhum dessas crianças. Se tivessem se perdido, tinha que ter pelo menos uma ‘chinela’. Por isso acredito que eles foram ‘carregados’”, disse José Emídio Reis.
As equipes percorrem trilhas, lagos e áreas de difícil acesso desde o domingo. O Comando de Operações de Sobrevivência em Área Rural (Cosar) abriu caminhos na mata e ampliou o perímetro, mas nenhum vestígio relevante foi encontrado.
Na segunda-feira, familiares prestaram depoimento na Delegacia de Bacabal e foram liberados. A Polícia Civil mantém todas as linhas de investigação abertas enquanto drones com sensores térmicos realizam sobrevoos noturnos.