
Acusado de importunação sexual, o ministro Marco Buzzi enviou uma carta a colegas do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para negar as denúncias e alegar inocência. Em seguida, apresentou um pedido de afastamento por 90 dias. O magistrado, de 68 anos, entregou nesta terça-feira (10) um atestado assinado por uma médica psiquiatra solicitando o período fora das funções, conforme apurado pela TV Globo.
A assessoria do STJ afirmou que só deve se manifestar após uma reunião extraordinária convocada para a manhã desta terça-feira, que deve tratar das denúncias de importunação sexual feitas contra Buzzi. O ministro nega as acusações.
No último dia 5, Buzzi já havia apresentado um atestado. Na ocasião, ele estava internado e sem previsão de alta. Interlocutores afirmam que o ministro colocou um marca-passo recentemente.
Carta enviada aos colegas
Na segunda-feira, o ministro encaminhou aos demais integrantes do tribunal uma carta em que rejeita as denúncias e afirma que pretende provar sua inocência. “Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência. Creio que, nos procedimentos já instaurados, demonstrarei minha inocência”, escreveu Buzzi.
Marco Buzzi é investigado por importunação sexual após acusação feita por uma jovem de 18 anos. Uma nova denúncia foi apresentada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nesta segunda-feira (9). A mulher já prestou depoimento à Corregedoria do CNJ.
A acusação foi revelada pelo site da revista Veja na manhã da última quarta-feira (4). O inquérito foi comunicado ao CNJ e enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), já que Buzzi tem direito ao foro privilegiado. As investigações tramitam em sigilo.

Em nota, o ministro disse que “foi surpreendido com o teor das insinuações divulgadas” e repudiou “toda e qualquer ilação de que tenha cometido ato impróprio”. A defesa da mulher informou que aguarda rigor nas apurações e o respectivo desfecho perante os órgãos competentes.
A apuração trata o episódio como importunação sexual. Em caso de condenação, a pena prevista no Código Penal varia de 1 a 5 anos de reclusão.
O que diz a carta do ministro
“Caros colegas,
Muito impactado com as notícias veiculadas e também por me encontrar internado em hospital, sob acompanhamento cardíaco e emocional, até o momento estive calado.
De modo informal soube de fatos contra mim imputados, os quais igualmente repudio.
Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência.
Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência.
Tenho quase 70 anos de idade, trajetória pessoal e profissional ilibadas, casamento feliz, de 45 anos, que frutificou três filhas amorosas e minha família está coesa ao meu lado.
Jamais adotei conduta que envergonhasse a família ou maculasse a magistratura.
Esse histórico não é invocado como prova de inocência, mas como elemento relevante de coerência biográfica, o que clama por cautela redobrada na apreciação das graves acusações.
Sem ainda compreender as razões das imputações feitas, lamento todo esse grande sofrimento e também desgaste da nossa Corte, revelando que estou submetido a dor, angústia e exposição que ninguém desejaria vivenciar.
De consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada, ante a prematura divulgação de informações, agradeço aqueles que me franquearam o benefício da dúvida. Confio que, por meio de apuração técnica e imparcial, os fatos serão plenamente esclarecidos.”