Cai a única “prova” contra Lula: o depoimento do empreiteiro Leo Pinheiro. Por Fernando Brito

Atualizado em 30 de junho de 2019 às 8:37
Leo Pinheiro (Imagem: reprodução)

PUBLICADO NO TIJOLAÇO

Das mensagens obtidas pelo The Intercept e publicadas hoje pela Folha.

“Acho que tem que prender o Leo Pinheiro. Eles falam pouco.”

A frase do procurador da República Januário Paludo, um dos  ais destacados da chamada Força Tarefa da Operação Lava Jato, resume o espírito que marcou mais de um ano de “negociações” entre a Procuradoria Geral da República: só haveria benefícios para “o empreiteiro com mais prova contra si” – José ademário, aliás Leo Pinheiro, da OAS – se este ” entregasse” o ex-presidente Lula.

Para isso, valia usar a prisão do executivo, até que ele concordasse em fornecer alguma acusação contra o petista:

“Januário Paludo – 12:21:54 – Acho que tem que prender o Leo Pinheiro. Eles falam pouco. Quer dizer, acho que tem que deixar o TRF prender.”

Depois de meses, a OAS apresenta – curiosamente, através da revista Veja – o que está disposta a dizer: que haveria uma “conta” clandestina em favor de Lula,  versão mantida até o final como justificativa da suposta vinculação do triplex do Guarujá com os contratos da Petrobras – algo que jamais fora mencionado nas conversas entre a OAS e os prucuradores :

Anna Carolina (Garcia) – 19:52:11 – Tinha isso de conta clandestina de Lula? 19:52:19-  Esses Advs não valem nada

Jerusa(Viecili) – 19:53:02 –  Não que eu lembre

Ronaldo ( Queiroz)- 20:45:40 – Também não lembro. Creio que não há.

Sérgio Bruno ( Cabral Fernandes) –  21:01:10 – Sobre o Lula eles não queriam trazer nem o apt. Guaruja. Diziam q não tinha crime. Nunca falaram de conta.

A “plantação” de suspeitas através de vazamentos era, para alguns procuradores,  “uma estratégia dos advogados para despertar interesse pela proposta e torná-la irrecusável para o Ministério Público”. Outra – que saiu pela culatra – teria sido o pagamento de propina, na forma de obras de impermeabilização em sua casa, do ministro José Carlos Dias Toffoli.

E como não havia materialidade algua no que os advogados de Léo Pinheiro traziam aos procuradores, durante mais de um ano as conversas não renderam acordo formal mas, afinal, com a alegação das reformas e de um suposto pedido de destruição de provas, a promessa de um, assim mesmo com muita prudência, para não evidenciar a barganha obtida com ele:

Deltan (Dallagnol)-17:10:32 -Caros, acordo do OAS, é um ponto pensar no timing do acordo com o Léo Pinheiro. Não pode parecer um prêmio pela condenação do Lula.

A única “prova” contra Lula, o depoimento do empreiteiro – que agora se vê como foi extraído – desmoronou estrepitosamente.