
Por Sergio Takemoto, Presidente da Fenae
No próximo 12 de janeiro, a Caixa Econômica Federal completa 165 anos de história. Mais do que uma data comemorativa, o aniversário do maior banco público da América Latina é um momento de reflexão sobre seu papel estratégico para o Brasil e, sobretudo, sobre quem garante, diariamente, que essa missão siga viva: as empregadas e os empregados da Caixa.
A trajetória da Caixa é traçada pela resistência e mobilização do movimento sindical e de seus trabalhadores. Foi essa luta coletiva que, ao longo de décadas, impediu tentativas de enfraquecimento, privatização e desmonte da instituição. Graças a essa resistência, a Caixa permanece como um banco público essencial ao desenvolvimento econômico, social e regional do país.
A Caixa chega aos seus 165 anos com 84,3 mil empregados, 156 milhões de clientes atendidos e mais de 3.200 agências e pontos de atendimento espalhados pelo país. Esses números não são apenas estatísticas, representam vidas, histórias e um compromisso histórico com o Brasil.
Presente na vida dos brasileiros desde 1861, o banco cumpre uma função que vai muito além da lógica de mercado. É o principal agente operador das políticas sociais do governo federal, responde por cerca de 70% do financiamento habitacional do país, administra o FGTS, as loterias federais e garante que direitos cheguem a milhões de pessoas, inclusive nas regiões onde o setor privado não tem interesse em atuar.

Por trás dessas operações existe o trabalho de empregadas e empregados da Caixa. São eles os principais atores no cumprimento da missão social do banco, mas têm sido submetidos, nos últimos anos, a um processo contínuo de enxugamento da estrutura, fechamento de agências e aumento de cobranças.
Desde 2017, 196 unidades foram fechadas, sendo 113 apenas em 2024 e mais de 50 em 2025. O impacto dessa prática é profundo, principalmente em relação à piora no atendimento à população e perdas concretas para os trabalhadores, com transferências compulsórias, descomissionamentos e insegurança permanente.
É nesse contexto que a Fenae, as Apcefs e as entidades sindicais reforçam a necessidade de mobilização contra o fechamento de agências. Seguiremos a orientação da Contraf-CUT para que todos os sindicatos, conforme suas possibilidades, realizem, neste 12 de janeiro, o Dia Nacional de Luta contra o fechamento das agências.
Defender a Caixa 100% pública, forte e social é, portanto, defender também seus trabalhadores. É assegurar que o banco continue cumprindo sua função social, promovendo inclusão, desenvolvimento e redução das desigualdades, sem abrir mão da dignidade de quem faz tudo isso acontecer. Essa é a melhor forma de honrar o passado, enfrentar os desafios do presente e garantir um futuro à altura da importância que a Caixa tem para o povo brasileiro.