O erotismo selvagem da garota da Disney

Os excessos de Miley Cyrus no show do VMA estão dando o que falar.

Miley Cyrus cantou ontem no Video Music Awards da MTV americana. Foi um show polêmico e estranho da moça que um dia foi a Hanna Montana, personagem adolescente do Disney Channel.

Miley se animou com uma daquelas mãozonas de jogo de baseball americano. Se animou, mais especificamente, com o dedo. É um senhor dedo. Ela e Robin Thicke fizeram uma performance bem sensual e tudo mais, mas ela gostou mesmo é do dedo. Brincou com ele até o fim do show.

Miley, Robin e o dedo
Miley, Robin e o dedo

A polêmica se deu das mais diversas formas. Houve quem a acusasse de racismo. Para mim, é uma acusação ridícula. Não há nada racista ali. Ou, ao menos, nada que não poderia perfeitamente ter sido feito numa configuração diferente de raças (poderia ser uma cantora negra com dançarinas brancas. E daí?)

Outra é que foi vulgar demais. É claro que o que é “demais” vai do que cada um acredita. Mas aí acho que a questão não é exatamente se ela pode ou não fazer um show daquele jeito. É que ela não precisa fazer. Poderia ter sido um pouco mais cuidadosa.

Uma cantora profissional comentou o show para mim. “Ela canta muito bem, mas ficou tão preocupada com aqueles movimentos, que cantou mal”. É uma crítica pertinente.

Michael Jackson, certa vez, optou por ligar um playback numa apresentação de Grammy. Ele apresentaria Billy Jean, seu grande número de dança. A questão é que ali o foco era a dança, e Michael é um dos maiores dançarinos da história.

Miley poderia ter pedido um playback, se achasse que a performance era central ali. Mas ela não é uma grande dançarina. Não valeria a pena. O mais inteligente seria diminuir um pouco o foco da performance. Só que aí, nós chegamos no ponto crucial: Kenny Ortega é o coreógrafo da cantora. Não consegui descobrir se foi ele que criou os conceitos e a coreografia desta apresentação especificamente, mas até pouco tempo ele era quem dizia para ela “dance aqui” ou “faça assim”. Quem quer que tenha criado este conceito, foi quem errou, não ela.

Miley não dança bem. Não é que dance mal. Ela é desengonçada. Alguns movimentos ficaram um pouco… patéticos. Não precisava insistir. As brincadeiras com Thicke foram legais. Depois disso, ela podia ter jogado o Grande Dedo das Neves para que alguma outra adolescente da plateia pudesse se divertir também.

Mas diante disso tudo, uma coisa é certa: a esquisitice é interessante no showbiz. Ela pode ter feito uma grande burrada, ou quem sabe deu a guinada da vida. Só o tempo vai responder. A adolescência passou e a inocência começa a ficar deslocada aos 20 anos. Miley deixou claro que quer trocar a imagem angelical pela de uma mulher erotizada para seguir a carreira.

O curioso é que sempre que alguém faz alguma esquisitice interessante, há os que ficam com aquela cara de espanto como a da Rihanna durante a apresentação da menina. Vergonha alheia, etc, etc.

De gente que sente vergonha alheia, o mundo está cheio, e nem estou falando que a Rihanna seja o caso. Mas quem chega ao topo geralmente é gente que não tem muita vergonha. E a Hanna Montana não tem. Isso ninguém pode negar.

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Emir Ruivo é músico e produtor formado em Projeto Para Indústria Fonográfica na Point Blank London. Produziu algumas dezenas de álbuns e algumas centenas de singles. Com sua banda, Aurélios, possui dois álbuns lançados pela gravadora Atração. Seu último trabalho pode ser visto no seguinte endereço: http://www.youtube.com/watch?v=dFjmeJKiaWQ