Câmara de SP será presidida por vereador que teve nome envolvido em esquema de achaque a comerciantes. Por José Cássio

Eduardo Tuma. Foto: Divulgação

Basta puxar a ‘capivara’ de Eduardo Tuma no Google para descobrir que ele está entre os vereadores que mais tem problemas com a Justiça na cidade de São Paulo.

Entre outras coisas, teve seu sigilo bancário e fiscal quebrado por suspeita de enriquecimento ilícito pela juíza da 14.ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo, Alessandra Barrea Laranjeiras.

Seu patrimônio saltou de R$ 89 mil, em 2012, para R$ 2 milhões em 2016.

Tuma prestou esclarecimentos no Ministério Público Estadual.

Disse ter recebido um empréstimo de seu pai no valor de R$ 920 mil antes de 2012 para a compra de um apartamento.

Alegou também que um ano depois recebeu novo empréstimo do pai, de R$ 440 mil, cujo destino não foi especificado.

Eduardo Tuma é filho de Renato Tuma. Seu pai comandou a pasta de Administração na gestão de Celso Pitta.

Na eleição de 2016, afirmou ter usado R$ 673 mil em recursos próprios para sua campanha.

Num cálculo simples, a promotoria chegou à conclusão de que, considerando o salário de R$ 12 mil como vereador, em quatro anos ele teria ganhado R$ 576 mil, ou R$ 97 mil a menos do que alega ter gasto.

O aumento do patrimônio está longe de ser o maior problema envolvendo o jovem advogado de 36 anos.

Em 2012, assim que tomou posse no seu primeiro mandato como vereador, envolveu-se no escândalo dos alvarás de licenciamento comerciais.

Insinuante, membro de uma família de tradicionais comerciantes da região do Brás, conseguiu a presidência da CPI dos Alvarás.

Não demorou para ter seu nome num caso escabroso de extorsão, conhecido nas casas legislativas (lembra de Eduardo Cunha na presidência da câmara dos deputados?) pelo jargão “criar dificuldade para vender facilidade”.

As extorsões funcionavam com homens entrando nos estabelecimentos comerciais, identificando-se como fiscais da CPI e dizendo que o local apresentava irregularidades.

Em seguida, chantageavam os proprietários – bastava pagar para o “problema” ser resolvido.

Um dos homens era Antônio Albertino Pedace, assessor de gabinete e homem de confiança de Eduardo Tuma.

Sabe aquele quadro do repórter invisível do Fantástico?

Foi nele que Pedace caiu. Foi filmado pedindo propina em nome de Eduardo Tuma dentro do prédio da câmara municipal.

O desfecho atende o script tradicional. Alegando desconhecer as extorsões, Tuma afastou o amigo.

O caso caiu no esquecimento até que Bruno Covas decidiu transformar o vereador em chefe da Casa Civil do seu governo.

Agora, ele voltou à câmara para ser empurrado novamente ‘escada acima’.

É o escolhido do prefeito e, especialmente, de Milton Leite, o mandachuva da cidade, para presidir o Legislativo a partir de 2019.

O arco de apoio vai do PT ao PPS, passando pelo DEM, PSDB, seu partido, e todos os demais.

Eduardo Tuma, na câmara ou no comando do toma lá, dá cá do governo, atua como uma espécie de “assessor” informal de Milton Leite.

Representa a continuidade da política adotada pelo experiente parlamentar de seis mandatos que controla não só o legislativo, mas a quase totalidade da máquina administrativa municipal.

A unanimidade do apoio só é quebrada por Fernando Holiday, do DEM, que, mesmo sem chances, lançou-se à presidência.

– É uma candidatura anti-establishment, disse Holiday ao DCM. Contra um conglomerado de negociações obscuras.

Mesmo sendo do mesmo partido de Milton Leite (DEM), o parlamentar do MBL condena o que classifica de acúmulo de poder do atual presidente da câmara.

– Ele tem a câmara na mão e na prática atua como vice-prefeito, diz Holiday.

Para ilustrar a influência de Milton Leite sobre Eduardo Tuma um amigo conta um fato inusitado.

No inverno desse ano, durante um ato de campanha, o atual presidente do Legislativo se sentiu incomodado com o casaco que estava vestindo – passava das 10h e o sol forte já atenuava o frio.

Milton Leite tirou o casaco e chamou Eduardo Tuma.

– Leva no carro pra mim, ordenou!

Dos vereadores consultados pelo DCM, todos, sem exceção, mostram simpatia pelo indicado do prefeito e de Milton Leite.

Sobre o escândalo dos alvarás ninguém faz qualquer comentário. É como se não tivesse existido.

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