Caminhada de Nikolas é palco de selfies e atrai baixo clero da direita por visibilidade

Atualizado em 24 de janeiro de 2026 às 8:17
Nikolas Ferreira e aliados bolsonaristas durante a chamada “Caminhada pela Liberdade”. Foto: Reprodução

A “Caminhada pela Liberdade”, liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), virou um grande palco de exposição política, com apoiadores disputando selfies e parlamentares aproveitando o trajeto para ganhar visibilidade. Com informações da Folha de S.Paulo.

A mobilização, iniciada em Paracatu (MG) e com destino final em Brasília, soma cerca de 240 quilômetros e, nesta sexta-feira (23), seguiu de um povoado de Cristalina até Luziânia, em Goiás, em protesto contra a condenação dos acusados de tentativa de golpe de Estado.

Apesar do “clima festivo” no início do dia, a caminhada expôs a falta de organização ao longo do percurso. Por volta do início da tarde, participantes demonstravam cansaço e incerteza sobre horários de parada e alimentação, sem que a própria assessoria do deputado tivesse informações precisas.

O grupo só conseguiu almoçar por volta das 15h, enquanto parte dos apoiadores seguia a pé, sentando-se no acostamento da BR-040 para descansar, com distribuição irregular de água e comida.

A separação entre os manifestantes e a rodovia era feita apenas por uma corda, com seguranças e apoiadores tentando conter o avanço do grupo. Empurrões foram registrados, inclusive com idosos e crianças no trajeto. A Polícia Rodoviária Federal também afirmou que a caminhada oferece “riscos de segurança”.

Deputado cercado e apoio diferenciado

Embora Nikolas tenha admitido que não houve planejamento prévio do percurso nem comunicação formal ao PL, a estrutura disponível priorizava o próprio parlamentar. Ele caminhava escoltado por policiais legislativos e acompanhado por um carro que o separava dos apoiadores.

Durante o trajeto, recebeu auxílio direto de assessores, com hidratação, cuidados nos pés e pausas para recuperação, enquanto o restante do grupo lidava com condições mais precárias.

Selfies e presença de políticos

Ao longo do caminho, celulares dominaram a cena. Apoiadores filmavam, posavam para fotos e exibiam símbolos ligados ao bolsonarismo, como bonecos de Jair Bolsonaro e referências à manifestante conhecida como Débora do Batom, condenada pelos atos de 8 de janeiro.

Nikolas era o mais disputado para fotos, com acesso controlado por seguranças: após o registro, os apoiadores eram rapidamente afastados do círculo próximo ao deputado.

Apesar de afirmar não querer que seu protesto fosse utilizado por “políticos”, a manifestação estava cheia deles. Havia vereadores de cidades do interior que foram eleitos com apoio de Nikolas ou buscavam conquistá-lo, além de deputados, senadores e pré-candidatos às eleições deste ano.

A marcha, porém, tem chamado atenção não apenas pelo caráter político, mas também pelo histórico judicial de parte de seus participantes. Segundo levantamento de Vinicius Segalla, no DCM, parlamentares que aderiram ao ato acumulam investigações, denúncias, processos ou condenações por ao menos dez crimes distintos.