Campanha de Flávio Bolsonaro diz que caso Wagner “equilibra o jogo”, mas mantém cautela

Atualizado em 18 de junho de 2026 às 23:30
Flávio Bolsonaro
O senador e pré-candidato a presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A campanha de Flávio Bolsonaro decidiu adotar cautela na resposta à operação da Polícia Federal contra Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado. A ordem é explorar politicamente o caso, mas sem transformar o escândalo do Banco Master no eixo central da pré-candidatura presidencial do senador do PL.

Segundo a Folha, aliados de Flávio Bolsonaro avaliam que a ação contra Wagner ajuda a “equilibrar o jogo” depois do desgaste provocado pelo caso “Dark Horse”. Em maio, foi revelado que Flávio Bolsonaro pediu R$ 130 milhões a Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro, dos quais cerca de R$ 61 milhões foram repassados.

A leitura interna é que o caso Master é volátil demais para sustentar uma campanha inteira. Por isso, o grupo pretende usar a operação contra Wagner de forma pontual, ao mesmo tempo em que tenta preservar espaço para o lançamento de propostas, especialmente em áreas como segurança pública.

Flávio Bolsonaro já começou a explorar o episódio. Nas redes sociais, compartilhou reportagens sobre a operação contra Jaques Wagner e afirmou que “escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder”. Em evento em São Paulo, disse que “o PT da Bahia acaba de ser implodido” e chamou a ação de “alento”.

Jaques Wagner
O líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). Foto: Evaristo Sá/AFP via Getty Images

O movimento ocorre porque a crise do Banco Master atingiu os dois lados da disputa. Antes da operação contra Wagner, Flávio Bolsonaro havia sido pressionado pela relação com Vorcaro e pelo financiamento do “Dark Horse”. Depois da revelação, pesquisas apontaram recuo do senador, embora aliados sustentem que ele não “derreteu” e se manteve como principal nome da direita.

A campanha de Flávio Bolsonaro reconhece que Lula não foi diretamente implicado na operação contra Jaques Wagner. Ainda assim, aliados argumentam que a lista de figuras próximas ao presidente atingidas pelo escândalo cresceu, o que permitiria reduzir a vantagem política do PT na exploração do caso Master.

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão no apartamento de Jaques Wagner. A apuração investiga suspeitas de que o senador possa ter recebido valores ligados ao Banco Master por meio de empresa vinculada à esposa de seu enteado, além de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões.

O caso foi aberto a partir da análise de material apreendido com Augusto Lima, ex-sócio do Master, e integra a nova fase da Operação Compliance Zero. Para a campanha de Flávio Bolsonaro, o episódio não encerra o desgaste do “Dark Horse”, mas cria um contra-ataque num tema que vinha sendo usado pelo governo Lula contra o senador.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política; escrevo pelo Diário do Centro do Mundo!