
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, quer chamar o presidente Lula (PT) de “pai do Lulinha” para reforçar acusações de corrupção e explorar o caso das fraudes no INSS. A estratégia, atribuída pela Folhapress à equipe do senador, mira Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, citado na investigação como possível elo com Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
A defesa de Lulinha reconhece a relação com Antunes, mas afirma que ela envolvia prospecção de negócios comerciais legítimos. Ser citado em investigação não significa condenação, e relação comercial alegada não prova crime. Lulinha não tem mandato, cargo público nem função partidária.
A manobra ocorre enquanto Flávio Bolsonaro tenta reduzir o peso político da defesa da anistia total aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Dois dias após a derrubada do veto de Lula ao projeto da dosimetria, o senador visitou Anderson Torres no Núcleo de Custódia da Polícia Militar, localizado no Complexo Penitenciário da Papuda (conhecido como “Papudinha”), em Brasília, e disse que seguirá lutando por “anistia total”.

Torres, ex-ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, foi condenado pelo STF a 24 anos de prisão por participação na tentativa de golpe de Estado.
O veto ao projeto da dosimetria foi derrubado pelo Congresso em 30 de abril. Na Câmara, foram 318 votos pela derrubada contra 144 pela manutenção; no Senado, 49 contra 24. O texto reduz penas ligadas à tentativa de golpe e segue para promulgação após a decisão do Congresso.