
A campanha de Lula em São Paulo vai pedir que todos os policiais militares escalados para o ato de sábado (24), na avenida Paulista, mantenham as câmeras corporais ligadas durante todo o evento e usem identificação visível. A iniciativa ocorre após atritos entre a coordenação lulista e a Polícia Militar na véspera do primeiro turno.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha no estado, afirmou que apresentará a solicitação à corporação. “Não seremos intimidados pela truculência da polícia de Tarcísio. Ocuparemos a avenida Paulista para mandar ao Brasil uma mensagem de amor e de esperança”, disse.
Carvalho declarou que o pedido busca garantir a identificação de “toda a tropa que estará na Paulista” e o funcionamento contínuo das câmeras corporais. O ato reunirá apoiadores de Lula na via, que se tornou foco de disputa entre a campanha e o governo paulista nos últimos dias.
Na véspera do primeiro turno, uma manifestação ligada à campanha provocou discussão entre policiais e organizadores na rua Augusta. Carvalho recebeu voz de prisão durante o episódio, mas a situação foi contornada e a caminhada continuou.

Relatório da PM relata conflito antes da caminhada
Um relatório assinado pelo major Maurício Bijarta Ferraioli acusa a campanha, a Polícia Federal e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) de obstruírem a avenida Paulista, contrariando decisão do Tribunal Regional Eleitoral para manter a via livre.
Ferraioli escreveu que os organizadores “potencializavam” supostas ameaças contra os policiais. “Os organizadores afirmavam estar colaborando, porém, na prática, agiam de forma aparentemente protelatória”, registrou o major.
A caminhada não passou pela avenida Paulista. Antes da saída, participantes ocuparam parte da quadra que liga a avenida à rua Augusta, enquanto policiais pressionavam para que o grupo iniciasse o deslocamento antes da chegada de Lula.
O relatório também acusa Carvalho de ofender o major e afirma que o coronel inativo Rogério Brito de Miranda se apresentou como integrante do GSI. O advogado nega as ofensas e diz que atuou para mediar o conflito.
“Sou testemunha da lisura com que o coronel Rogério atuou. Nunca, em momento algum, ele se passou por agente do GSI. Isto não é verdade e configura, inclusive, denunciação caluniosa”, afirmou Carvalho.
A tensão aumentou após policiais de Piracicaba serem acusados de vestir camisetas de apoio a Lula em jovens detidos por suspeita de tráfico. O senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP), que comandou a Segurança Pública no governo Tarcísio de Freitas, divulgou o vídeo dos detidos com as camisetas.