
Aliados de Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, estão promovendo nas redes sociais, entre 3 de novembro e 3 de dezembro, um campeonato de cortes com prêmio de R$ 50 mil para quem entregar maior engajamento ao editar vídeos de entrevistas do governador e de Guilherme Derrite.
A ação ocorre no momento em que Tarcísio articula apoio no Centrão e busca reforçar sua imagem com foco na segurança pública. O formato repete métodos que levaram Pablo Marçal à condenação por abuso de poder econômico nas eleições de 2024.
Trocas de mensagens acompanhadas pela revista Fórum mostram orientações atribuídas à equipe do governador para que os participantes não vinculem sua imagem à de Jair Bolsonaro. Uma das instruções, enviada na sexta-feira às 13h44, diz que a associação ao ex-presidente estaria proibida a partir das 15h. O aviso também exigia foco em trechos recentes do Flow Podcast, que recebeu Tarcísio e Derrite.

O grupo que organiza o campeonato teria criado um sistema de controle financeiro e editorial. As mensagens vazadas indicam que quem descumprir a ordem perde “views do diário e mensal”, além do risco de bloqueio definitivo. O teor reforça a suspeita de que há coordenação centralizada sobre produtores de conteúdo.
Procurado, o governo de São Paulo afirmou não ter conhecimento ou participação na iniciativa. Em nota, a gestão classificou como falsa qualquer tentativa de vincular os prints a Tarcísio e disse que adotará medidas legais se considerar que houve responsabilização indevida. A resposta elevou o tom e rejeitou qualquer relação com o esquema de vídeos.
Um painel de controle vazado revela o alcance da operação. O dashboard da plataforma usada no campeonato mostra picos de visualização e o prêmio total de 50 mil reais. Segundo o empresário que expôs o material, o objetivo é produzir em massa conteúdo viral favorável ao governador com vistas às eleições de 2026.

Os dados das redes confirmam a força do movimento. A hashtag #tarcisiocortes surgiu no mesmo dia em que o campeonato começou e se multiplicou rapidamente. No TikTok, passou de 600 para mais de 1 mil vídeos em poucos dias. No YouTube, já são mais de 800 publicações distribuídas por quase 80 canais, somando milhões de impressões. O maior pico ocorreu justamente na data em que a ordem para evitar associações a Bolsonaro foi enviada.