Campos tem que explicar o que é o “muito mais” que pode ser feito

Atualizado em 16 de março de 2013 às 21:52

Se ele imagina que basta ser aplaudido por um pequeno grupo da elite, vai repetir o fracasso de Serra.

Campos
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“Dá para fazer muito mais” que Dilma.

Foi  que disse Eduardo Campos, de Pernambuco, a um grupo de 60 empresários de São Paulo, segundo a jornalista Mônica Bergamo, da Folha. Os empresários teriam ficado certos de que Campos é candidato à presidência.

“Dá para fazer muito mais”, primeiro e acima de tudo, é um lugar comum de qualquer candidato de oposição. Romney utilizou-a frequentemente contra Obama, nas eleições americanas.

O inovador, o surpreendente seria um candidato dizer: “Só posso fazer menos, confesso”.

Isto posto, Campos terá que deixar claro o que é, especificamente, que ele pode ”fazer mais”.

Ele só terá chance de agradar mais que algumas dúzias de empresários paulistas se demonstrar aos eleitores que pode, efetivamente, ser melhor no combate ao grande mal brasileiro e mundial deste milênio: a insustentável desigualdade social.

Mesmo a Igreja Católica mostrou ter entendido o tamanho desse drama na escolha do novo papa. Francisco adotou o nome de São Francisco de Assis, símbolo da humildade. Numa declaração que está repercutindo hoje no mundo, o novo papa disse: “Quero uma igreja para os pobres”.

A extraordinária demonstração de amor dada pelos venezuelanos a Chávez derivou exatamente disso: ele governou não para os interesses americanos, como sempre ocorrera na Venezuela, não para os poucos ricos que se beneficiavam de um Estado corrupto e dedicado aos poderosos – e sim para os pobres.

Qual a visão do mundo e do Brasil de Campos? Ele compreende o zeitgeist, o espírito do tempo, como Pepe Mujica, o presidente uruguaio que deu as costas às mordomias oferecidas pelo poder como um gesto de extrema força inspiradora? Ou como Francisco, que andava de ônibus em Buenos Aires e vivia num apartamento simples?

São questões cuja resposta haverá de aparecer nos próximos tempos. Se Campos imaginar que ganhar as graças de uma pequena elite é o suficiente para chegar ao Planalto, vai se tornar o novo Serra – e sua jornada terminará em naufrágio.