“Cansaço de levar rasteiras”: o que levou Tarcísio a desistir da visita a Bolsonaro

Atualizado em 20 de janeiro de 2026 às 22:49
Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro. Foto: Alan Santos/PR

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, cancelou a visita que faria nesta quinta-feira (22) ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso em Brasília. Segundo interlocutores, a decisão foi motivada pelo desgaste acumulado na relação com integrantes da família Bolsonaro. Com informações de Gerson Camarotti, no G1.

De forma oficial, o governo paulista informou que o encontro foi adiado em razão de compromissos de Tarcísio em São Paulo. Nos bastidores, porém, aliados afirmam que o governador está “cansado de levar rasteiras” e de ser alvo de críticas públicas de bolsonaristas, especialmente por meio das redes sociais.

De acordo com pessoas próximas ao governador, os episódios de desautorização e ataques recorrentes afetaram o ambiente político e contribuíram para o cancelamento da visita. A avaliação interna é que o encontro poderia resultar em novas cobranças e constrangimentos públicos, num momento em que a relação atravessa tensões frequentes.

Mesmo com o desconforto, aliados afirmam que Tarcísio mantém o compromisso de apoiar o senador Flávio Bolsonaro em sua candidatura à Presidência da República. O apoio, segundo essas fontes, permanece por lealdade política a Jair Bolsonaro, ainda que o governador não demonstre disposição para ampliar esse engajamento neste momento.

Interlocutores relataram que o encontro serviria para um possível “enquadramento” do governador, com cobranças por manifestações mais explícitas de apoio à candidatura presidencial. O cenário ocorre após uma sequência de atritos entre Tarcísio e a base bolsonarista mais próxima da família.

Entre os episódios recentes citados por aliados estão críticas públicas de Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro, além de reações negativas a declarações de Tarcísio sobre o cenário político nacional e críticas indiretas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo aliados, o governador segue disposto a cumprir compromissos políticos já assumidos, mas demonstra incômodo com a falta de respaldo público do grupo bolsonarista.