
O caso da morte do cachorro Orelha entrou em uma nova fase após o encerramento das investigações pela Polícia Civil de Santa Catarina e o envio do relatório final ao Ministério Público de Santa Catarina. Caberá agora ao órgão analisar o material, que tramita sob sigilo, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), conforme informações do Globo.
A investigação foi concluída na terça-feira. A Polícia Civil aponta um adolescente como responsável pela agressão que levou à morte de Orelha e solicitou a internação do jovem, medida equivalente à prisão no sistema adulto. Além disso, três maiores foram indiciados por coação a testemunha. Os advogados do adolescente negam as acusações.
O que diz a investigação
Segundo a Polícia Civil, Orelha vivia havia cerca de dez anos na Praia Brava, onde era cuidado por moradores e comerciantes e considerado um mascote do bairro. O cachorro foi encontrado gravemente ferido em uma área de mata no mês passado, levado a uma clínica veterinária e submetido à eutanásia em razão da gravidade das lesões.
Laudos da Polícia Científica indicam que o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, “que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa”. O ataque ocorreu na madrugada do dia 4 de janeiro, por volta das 5h30.
De acordo com a corporação, imagens e depoimentos permitiram reconstruir a movimentação do adolescente no horário do crime.
“O desenrolar dos fatos começou às 5h25 da manhã, quando o adolescente saiu do condomínio na Praia Brava. Às 5h58 da manhã, ele retornou para o condomínio com uma amiga. Esse foi um dos pontos de contradição em seu depoimento. O adolescente não sabia que a Polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio, na piscina. Além das imagens, testemunhas e outras provas também comprovaram que ele estava fora do condomínio”, afirma a polícia.
Imagens, testemunhas e tecnologia
A Polícia Civil informou que ouviu 24 testemunhas e analisou mais de mil horas de filmagens captadas por 14 equipamentos instalados na região. Também foram reunidas provas como as roupas utilizadas pelo autor, identificadas em imagens de câmeras de segurança.
Um software francês, obtido pela corporação, foi usado para analisar a localização do responsável durante o ataque. No mês passado, ao menos quatro adolescentes chegaram a ser apontados como suspeitos, e oito jovens foram investigados ao longo da apuração.
🚨 URGENTE! O Domingo Espetacular conseguiu uma prova através de câmeras de seguranças de que um dos criminoso estavam no local exato e na data exata do assassinato do Orelha em Santa Catarina.
Alô autoridades ! ! ! pic.twitter.com/c4pQCKLQQS
— Cássio Oliveira (@cassioolivveira) February 2, 2026
Viagem ao exterior e interceptação
O adolescente apontado como autor da agressão deixou o país no mesmo dia em que a Polícia Civil identificou os suspeitos e permaneceu no exterior até 29 de janeiro. Na volta, ele foi interceptado por agentes no aeroporto.
Segundo a polícia, “naquele momento, um familiar tentou esconder um boné rosa que estava em posse do adolescente, além de um moletom, que também foram peças importantes na investigação. Além disso, o familiar do autor tentou justificar a compra do moletom na viagem, mas o próprio adolescente admitiu que já possuía a peça, que foi utilizada no dia do crime”.
Encaminhamento ao MP e posição da defesa
A investigação foi finalizada após o depoimento do adolescente nesta semana e, em seguida, encaminhada para apreciação do Ministério Público e do Judiciário.
Em nota, os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte afirmaram que houve “politização do caso” e contestaram as conclusões da Polícia Civil. “Onde está a comprovação da agressão? Onde estão as imagens? O que a peça de roupa configura na confirmação do ato de violência contra o animal? Neste mesmo horário, há imagens de outros adolescentes circulando pelo mesmo deck de madeira”, disseram.
Segundo a defesa, a “politização do caso” e a “necessidade de apontar culpado a qualquer preço” (…) “prejudicam a verdade, infringem de forma gravíssima os ritos legais e atingem violentamente e de forma irreparável pessoas inocentes”.
Além do caso de Orelha, a Polícia Civil informou que também concluiu a investigação sobre os maus-tratos ao cachorro Caramelo, crime ocorrido na mesma região da Praia Brava, em Florianópolis.