Careca do INSS é suspeito de corromper policiais para forjar crime e incriminar ex-assessor

Atualizado em 20 de abril de 2026 às 20:20
Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, teria corrompido policiais para forjar furto de uma Audi
Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

O ministro André Mendonça, do STF, registrou em decisão sigilosa a existência de indícios de que Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, corrompeu duas policiais civis de São Paulo para forjar o furto de um Audi RS6 e incriminar o ex-assessor Edson Medeiros. O caso tramita sob sigilo e está ligado à apuração sobre fraudes bilionárias no INSS. Com informações da Folha de S.Paulo.

Na decisão, Mendonça afirmou haver “fortes indícios” de que Antunes “teria corrompido duas policiais civis do Estado de São Paulo” para simular o crime envolvendo o veículo. Segundo o ministro, as agentes seriam uma escrivã e uma investigadora.

O ministro também determinou a restituição do Audi a Medeiros. Conforme a decisão, mensagens anexadas ao processo mostram o ex-funcionário tratando da documentação de compra do carro, e o veículo não é considerado essencial para o avanço das investigações.

Careca do INSS teria forjado o furto de uma Audi RS6
O Audi RS6, foto ilustrativa. Foto: Divulgação/Audi

Ainda de acordo com Mendonça, Medeiros emprestou o automóvel a Antunes antes da apreensão feita pela Polícia Federal. Depois disso, a defesa do Careca do INSS sustentou que o Audi teria sido furtado, mas o ministro rejeitou essa versão ao analisar os elementos reunidos no processo.

A decisão ainda registra que as duas policiais mencionadas no caso foram afastadas de suas funções. Ao citar relato da Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo, Mendonça afirmou que foram encontradas com uma delas anotações sobre documentos de carros ligados a Antunes.

A defesa de Antunes disse que a ocorrência registrada contra o ex-assessor não trata do Audi, mas de outros dois veículos, um Porsche 911 Carrera GTS e uma BMW M5, além de um iPhone, um iPad, utensílios domésticos e R$ 30 mil. Medeiros negou as acusações nos autos e afirmou que o lobista devia a ele mais de R$ 1 milhão.

Laura Jordão
Estudante de Sociologia e Política na Fundação Escola de Sociologia e Política e estagiária pelo Diário do Centro do Mundo. Adoro ciclismo, e busco estudar sobre mobilidade urbana e políticas públicas.