Carlos Bolsonaro reclama da Papudinha e esquece que sempre defendeu prisão dura

Atualizado em 21 de janeiro de 2026 às 15:01
O ex-vereador Carlos Bolsonaro. Foto: Luiz Rodrigues/Agência O Globo

O ex-vereador Carlos Bolsonaro visitou nesta quarta (21) o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e 3 meses no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha. A transferência para o local foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Após a visita, Carlos Bolsonaro usou as redes sociais para reclamar das condições da prisão. “É inacreditável ver o estado do ministro da Justiça Anderson Torres, de Silvinei Vasques e do meu pai, presos em um complexo penitenciário que abriga estupradores, sequestradores e criminosos de alta periculosidade”, afirmou.

O ex-vereador deixou o local por volta das 13h35. Esta foi a primeira visita ao pai desde que ele foi encaminhado ao batalhão da Polícia Militar, na semana anterior, após decisão do STF. A Papudinha abriga presos provisórios e condenados de diferentes perfis criminais.

Carlos também mencionou sua participação na chamada “caminhada pela liberdade”, manifestação organizada por Nikolas Ferreira (PL-MG) que percorre mais de 200 quilômetros entre Paracatu, em Minas Gerais, e Brasília, com chegada prevista para domingo (25).

Em nova manifestação pública, Carlos afirmou que retomaria o trajeto após a visita. “Agora, sigo novamente em direção à caminhada pela liberdade dos presos políticos do 8 de janeiro”, declarou. Ele voltou a defender o pai e criticou decisões judiciais relacionadas aos condenados pelos atos golpistas.

“Vou retornar para mais um dia vendo meu pai preso, sem jamais ter desviado um centavo dos cofres públicos, enquanto outros foram retirados da cadeia para serem alçados ao poder. O Brasil não pode viver sob a normalização da inversão de valores. Venceremos”, disse.

O discurso de Carlos Bolsonaro, porém, ignora um ponto central: ele e o próprio grupo político sempre defenderam publicamente penas duras, encarceramento rigoroso e discurso de tolerância zero contra o crime, sem distinções. Agora, diante da prisão do pai e de aliados, o tom muda para indignação seletiva, como se o sistema penal fosse aceitável apenas para os outros. A crítica às condições da detenção soa menos como defesa de direitos universais e mais como lamento circunstancial, típico de quem sempre aplaudiu a repressão quando ela atingia adversários e agora passa a se queixar quando o alvo é a própria família.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.