Carluxo ataca Moraes e fala em riscos a Bolsonaro após negativa de domiciliar

Atualizado em 1 de janeiro de 2026 às 23:20
Carlos Bolsonaro com o pai, Jair Bolsonaro, no hospital
Carlos Bolsonaro com o pai, Jair Bolsonaro, no hospital – Reprodução/X

O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL), indiciado pela Polícia Federal na investigação sobre um suposto esquema de espionagem realizado por meio da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contra opositores do bolsonarismo, publicou novas críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

As declarações foram feitas após a negativa do pedido de prisão domiciliar para Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão no processo relacionado à tentativa de golpe.

Nas postagens, Carlos Bolsonaro afirmou que a situação não se trata de “hipótese” ou “exagero retórico”. O vereador citou a morte de Cleriston Pereira da Cunha, conhecido como “Clezão”, que morreu em 20 de dezembro de 2023 após passar mal no Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal.

Cleriston havia sido preso em decorrência das investigações sobre os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023, em Brasília, e não chegou a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

O parlamentar disse que o episódio envolvendo Cleriston está relacionado a decisões judiciais e afirmou que há “arbitrariedade” no sistema. Carlos Bolsonaro é investigado pela PF desde junho de 2025, e o caso envolvendo o vereador está sob análise da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele voltou a mencionar que vê “abusos de poder” nas decisões atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes.

Jair Bolsonaro foi internado em Brasília em 24 de dezembro. Em 31 de dezembro, foi submetido a uma endoscopia e recebeu diagnóstico de esofagite e gastrite. A defesa havia solicitado prisão domiciliar humanitária, mas o pedido foi negado por Moraes. Após isso, Carlos Bolsonaro intensificou críticas, afirmando que o ex-presidente estaria exposto a “riscos físicos e humanos”.

O vereador também publicou que, em sua avaliação, a “tensão institucional está à beira do colapso” e que decisões judiciais estariam causando um cenário de “instabilidade”. Nas mensagens, ele defendeu o que chamou de “restauração do império da lei” e afirmou que a situação atual teria impacto sobre o ambiente político nacional.

Carlos Bolsonaro finalizou as publicações pedindo a interrupção do que classificou como “perseguição política” e escreveu que o país não poderia ser conduzido por decisões “personalistas”. As manifestações ocorreram em meio aos desdobramentos jurídicos envolvendo o ex-presidente, investigações sobre a Abin e ações instauradas após os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília.

Veja na íntegra:

É preciso dizer com todas as letras: o que está em curso no Brasil não é a aplicação rigorosa da lei, mas um exercício reiterado de abuso de poder, concentrado nas mãos de um ministro que ultrapassou, há muito tempo, qualquer limite aceitável em um Estado de Direito. As decisões tomadas por esse sujeito não apenas violam garantias constitucionais básicas, como expõem deliberadamente Jair Bolsonaro a riscos reais, físicos e humanos.

Não se trata de hipótese, exagero retórico ou “narrativa”. Já vimos o desfecho concreto desse método. Já houve vítima fatal. A morte de Clezão não foi um acidente nem uma fatalidade imprevisível – foi consequência direta de um sistema que normalizou a arbitrariedade, desprezou alertas, ignorou a dignidade humana e operou sem freios institucionais.

Diante disso, qualquer tentativa de relativizar o que está acontecendo é desonestidade intelectual. A pergunta correta não é se isso pode terminar mal, mas quando e com que custo. Que país restará se mais uma injustiça dessa magnitude resultar em mais uma tragédia? Alguém, em sã consciência, acredita que haverá pacificação nacional após eventos diários desse porte?

A tensão institucional não está “alta”; ela está à beira do colapso. Persistir nessa escalada autoritária não fortalece a democracia – corrói sua legitimidade, implode a confiança pública e empurra o país para um cenário de instabilidade profunda. O silêncio cúmplice e a omissão covarde de setores que deveriam zelar pela Constituição apenas agravam esse quadro.

Interromper imediatamente essa perseguição política não é favor, não é concessão e não é ideologia – é dever institucional. O Brasil não pode ser governado por decisões personalistas, sem contraditório efetivo, sem limites e sem responsabilidade.

Ou se restaura agora o império da lei, com equilíbrio, garantias e freios reais ao poder, ou o país caminhará conscientemente para um ponto cujas consequências ninguém poderá fingir que não previu.

Mantenha, Pai!

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.