Carluxo pavimentou o caminho que levará à queda de Bolsonaro. Por Carlos Fernandes

É preciso que se dê os créditos.

Carlos Bolsonaro, o “Tonho da Lua”, faz com o governo do pai o que a oposição está a anos-luz de conseguir.

Misto de uma espécie de eminência parda com bobo-da-corte, o Zero 2 causa mais estragos políticos do que qualquer operação espetaculosa da Lava Jato.

Incapaz de avaliar as consequências do que faz, o rapaz consegue gerar uma crise com a mesma velocidade e desenvoltura de um tweet.

E foi com essa arma de alta letalidade, o Twitter, que o prodígio abateu um dos mais fortes aliados do presidente na reforma da previdência.

Rodrigo Maia, o homem com poder de ditar o que se coloca ou não na pauta de votações da Câmara dos Deputados, jogou a toalha naquilo que representa o divisor de águas para a viabilidade política do governo.

Enfurecido com as pressões descompensadas do ministro Sérgio Moro e com a subsequente prisão do sogro, Moreira Franco, a gota d’água se deu com a postagem do Carluxo o colocando na vala comum da velha política.

Não que seja uma inverdade, diga-se de passagem, mas a habilidade de diplomacia da criatura equipara-se a de um selvagem.

Em apoio a Moro e seu projeto “copia e cola” de pacote anticrime, o aspirante a filósofo de botequim postou enigmático: “Há algo bem errado que não está certo”.

Edgar Allan Poe deve ter se contorcido no túmulo.

Mistérios a parte, Maia tratou de pôr as cartas à mesa. Disse, irredutível, que a partir de agora faz parte da “nova política” o que equivale dizer que todas as suas ações se resumem “a não fazer nada e esperar por aplausos das redes sociais”.

E teve mais.

Categórico, afirmou que a total responsabilidade por conquistar votos para a reforma da previdência cabe, exclusivamente, ao presidente Jair Bolsonaro, não mais a ele.

Danou-se.

Sabedores que somos da capacidade do clã Bolsonaro na fina arte do diálogo, não seria absurdo afirmar que o bilhete único que garante a sua permanência no cargo esvaiu-se esgoto abaixo.

Se Jair Bolsonaro não entregar a “encomenda” da reforma da previdência, coisa cada vez mais plausível, absolutamente ninguém o avalizará na cadeira presidencial frente a esse verdadeiro espetáculo do absurdo que se transformou sua gestão.

Ridicularizado mundo afora, não será o establishment que dará seu aval para quem nada lhes dá em troca.

Que os donos do poder aceitem um palhaço na presidência da República, Jair é a prova cabal, mas que isso tem seu preço, logo a família buscapé irá descobrir.

Na desgraça que se avizinha para a monarquia estabelecida atualmente no Brasil, Carlos Bolsonaro possui um papel proeminente.

Ninguém mais do que ele trabalhou tanto para pavimentar o caminho que os levará a ruína.

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