Fala de Carmen Lúcia desmente discurso golpista de Heleno sobre poder das Forças Armadas

 

General Heleno dá entrevista à Jovem Pan

Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), falou sobre a falta de harmonia entre os Três Poderes no país.

Lamentou ser alvo de xingamentos e afrontas e assegurou que não existe quarto Poder no Brasil.

Afirmou que as Forças Armadas têm um “papel importante” na história do país, mas disse que elas “não podem ser um poder à parte”. A magistrada, segundo o Globo, também pontuou que “não há poder moderador no estado brasileiro”.

A fala contradiz o discurso golpista do general Augusto Heleno em entrevista à Rádio Jovem Pan.

Para Heleno, as Forças Armadas podem ser usadas contra o que ele chama de ‘abusos’ do judiciário.

“Acho que para a opinião pública, pelo que ela tem se manifestado, há uma certa concordância sobre esse papel do judiciário que tem colocado as coisas numa tensão ainda maior. Mas não acredito numa intervenção no momento, essa intervenção poderia acontecer num caso muito grave”, afirmou.

“Discordo até das considerações que fazem do 142, acho que o artigo é bastante claro, basta ler com imparcialidade, mas não acredito que ele venha ser empregado na situação atual”.

Muito ligado à Bolsonaro, ele abraçou a tese de que as Forças Armadas podem sim dar o golpe.

“Nós temos que torcer, buscar equilíbrio, bom senso, para não ter que usar o 142. O artigo 142 não diz quando exatamente as Forças Armadas precisam intervir. É uma intervenção que acontece pela necessidade de manter a tranquilidade do país. E pode acontecer em qualquer lugar”.

General Heleno mente e Carmen Lúcia defende a democracia

As declarações do ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) soam como mais uma tentativa de golpe para a oposição ao governo Bolsonaro.

“Essa é mais uma declaração gravíssima desse bando que tomou o governo”, alega a bancada do PSOL no Congresso Nacional. “O general mente para ameaçar e democracia mais uma vez”.