Carnaval 2019: Mangueira segue pela avenida aberta pela Tuiuti e vai contar as histórias que a História não conta

A Estação Primeira de Mangueira escolheu como enredo deste Carnaval um tema que desafia os conservadores e homenageia os heróis (e mártires) da luta popular.

“Brasil, meu dengo/ A Mangueira chegou/ Com versos que o livro apagou/Desde 1500/ Tem mais invasão do que descobrimento/ Tem sangue retinto pisado/ Atrás do herói emoldurado/ Mulheres, tamoios, mulatos/ Eu quero um país que não está no retrato”, diz uma das estrofes do samba-enredo.

O clipe oficial, como sempre, mostra um país que a antítese daquele que foi ao poder com Bolsonaro. Negro, mulata, brancos mais pretos do Brasil, como dizia Vinícius de Moraes.

Mangueira segue no caminho aberto pela Paraíso do Tuiuti, que no ano passado de um show de criatividade, ousaria e conhecimento, com o enredo sobre a manipulação política e os novos escravos.

“Meu Deus! Meu Deus! Está extinta a escravidão?”, perguntou Jack Vasconcelos, carnavalesco da Paraíso do Tuiuti.

Desta vez, para fazer os relatos que a mídia corporativa não faz, o carnavalesco Leandro Vieira vai colocar na avenida o enredo “História pra ninar gente grande”.

Na quadra da escola, a empolgação é grande para dar voz a mulheres como a Marielle Franco, morta no dia 14 de março, em uma crime de execução até agora não esclarecido.

Um dos autores do samba-enredo comemorou, através da rede social o embate na escola pela escolha da música.

“Fomos campeões na Mangueira. Pela memória de Marielle e [o motorista] Anderson Gomes e toda luta que ainda virá. São verde e rosa as multidões”, disse Tomaz Miranda, um dos compositores do samba. 

Veja abaixo a letra do samba-enredo e o clipe oficial da Mangueira:

 

Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasil que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa as multidões

Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500
Tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara
E a tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês

 

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