
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinou que ministros e auxiliares não participem do desfile de Carnaval que fará homenagem a ele no Sambódromo do Rio, neste domingo (15), conforme informações da Folha de S.Paulo.
A orientação prevê que integrantes do governo só poderão assistir à apresentação da Acadêmicos de Niterói se pagarem passagem e hospedagem por conta própria, evitando associação institucional ao evento.
A decisão foi comunicada após o Tribunal Superior Eleitoral rejeitar pedidos por propaganda antecipada, mas alertar para possíveis ilegalidades. A presidente da corte, Cármen Lúcia, afirmou que o Carnaval não pode ser “fresta” para crimes eleitorais e advertiu sobre o risco de ilícitos.
“Esse não parece ser um cenário de areias claras de uma praia, parece mais ser o cenário de areia movediça. Quem entra, entra sabendo que pode afundar”, disse a presidente do TSE.
Também ficou definido que ministros não poderão montar agendas oficiais que coincidam artificialmente com o desfile. A recomendação deve ser estendida pelo PT a ocupantes de cargos eletivos para evitar questionamentos futuros.
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O presidente petista será tema do enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que destaca sua trajetória política e familiar, incluindo referências à mãe do presidente, Dona Lindu, frequentemente citada por ele em discursos.
O desfile inclui trechos como “olê, olê, olá, Lula! Lula!”, o mote “o amor venceu o medo” e menções ao número 13.
Participações e organização do desfile
A restrição não vale para a primeira-dama, Rosângela Lula da Silva, que será destaque no último carro alegórico, seguida da ala Amigos de Lula, formada por parentes e aliados.
Janja participa do ensaio técnico da Acadêmicos de Niterói.
Reprodução/Redes Sociais pic.twitter.com/sK56ouzQBU
— Jornal O Dia (@jornalodia) February 7, 2026
O grupo de advogados Prerrogativas participa da organização e sustenta que a homenagem não tem caráter eleitoral. Coordenador do grupo, Marco Aurélio Carvalho, afirma ser inconcebível a tentativa de criminalização da homenagem ao presidente, o que configuraria censura prévia à escola de samba.
A destinação de R$ 12 milhões da Embratur à Liga das Escolas de Samba do Rio foi distribuída igualmente entre as agremiações do Grupo Especial, com R$ 1 milhão para cada uma.
Apesar do entusiasmo do presidente — que chegou a apresentar o samba em jantares com aliados — colaboradores admitem preocupação com a repercussão, risco de vaias ou até de rebaixamento da escola, avaliando que o episódio pode gerar desgaste sem retorno político.
Sobre eventuais vaias, Marco Aurélio afirmou que o próprio presidente considera manifestações contrárias parte da democracia e que também haverá aplausos na avenida.