Caro Doria: como paulistano, o que posso dizer é que “lixo vivo” é você. Por Mauro Donato

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Há entre os bacanas uma máxima que repetem a cada vez que alguém ‘de baixo’ sobe e comete um deslize: “A pessoa sai da favela, mas a favela não sai da pessoa.”

Curiosamente, com a elite ocorre exatamente o contrário. João Doria abandonou os ternos que custam o valor de um carro, esteve andando pelas ruas da periferia em trajes casuais durante a campanha, tentou mostrar que era um cara simples.

Mas pessoas como João Doria “tentam sair da elite, mas a elite não sai delas.” Assim, são traídas pela língua a todo momento e soltam termos pejorativos e preconceituosos (chamando crianças especiais de ‘defeituosas’) ou então revelam não saber onde fica nem o que é exatamente o Minhocão, dizem que a periferia ‘parece a Etiopia’.

Agora João Doria afirma que a cidade é um “lixo vivo”. Foi num evento para empresários (onde mais?) e Doria passeava entre os temas limpeza – ele quer reativar o Cidade Linda de Marta Suplicy – e cracolândia. Ficou evidente que não se referia apenas à sujeira. Os dependentes químicos frequentadores da região da Luz são ‘um lixo’ para o futuro prefeito dos paulistanos.

Como a elite não sai de dentro dele, mais uma vez deixou escapar suas empáfias: “O pancadão é um cancro que destrói a sociedade”, disse em relação aos bailes funk. Alguém ainda tem dúvida sobre o que exatamente Doria considera lixo?

João Doria é um higienista da pior espécie, que tem apresentado medidas assombrosas. Uma das mais recentes da conta de que pretende incentivar o ‘bico’ de policiais civis na cracolândia.

Como a categoria não tem dado conta nem do que lhe compete fazer durante o horário de serviço e sobrecarga de trabalho numa função dessas é altamente arriscado, não é preciso ser especialista para saber que é mais uma das medidas que Doria anuncia sem nenhum conhecimento do que está falando. Assim como fez quando disse que iria congelar as tarifas de ônibus. Agora, além de ter voltado atrás duas vezes, quer retirar a gratuidade da passagem inclusive de idosos.

Representante máximo da elite motorizada, disse no mesmo evento de ontem que irá reabrir o viaduto 9 de Julho para os carros. Ele hoje é exclusivo para o transporte público e é mais uma das medidas de Haddad que beneficiou a maioria e não o individualismo. Assim como o limite de velocidade nas ruas e avenidas que, como não poderia deixar de ser, Doria sempre foi contrário e fez desse um de seus motes na campanha.

Como desgraça pouca é bobagem e João Doria tem se revelado um poço sem fundo, também está nos planos do prefeito da república do cashmere transferir a Virada Cultural (um evento aberto e integrador na cidade) para um espaço fechado. A saber, Interlagos. E por que Interlagos? Uma leitura simplista poderia interpretar que Doria não entendeu o espírito da coisa, que juntamente com sua esposa é um extra-terrestre que não faz ideia do que acontece na cidade e na vida real.

Mas transferir a Virada Cultural para Interlagos tem conexão direta com sua ideia de privatização daquele lugar e Doria já está garantindo eventos ali. A prefeitura terá que pagar para os novos donos de Interlagos (alguém aí falou em direito de imagem, transmissão e cotas de patrocínio?) e os novos donos de Interlagos serão pessoas pertencentes ao clube dos Doria, dos Marinho…

João Doria quer transformar a Virada Cultural num Lollapalooza com tudo sendo cobrado, onde todos irão ganhar, menos a cidade. O futuro prefeito faz parte daquela turma que condena ciclovias e qualquer outra atividade de lazer livre na cidade enquanto nem fica em São Paulo nos finais de semana, refugiando-se em suas cinematográficas casas de campo ou de praia. Vista de lá, SP é um lixo. Quem ama a cidade pensa exatamente o contrário. Lixo é essa elite babaca.

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